‘‘Devemos sempre nos preparar para o fracasso. Isso torna ainda mais gratificante o sucesso.’’
Steven Spielberg, cineasta americano
Um risco global
Carimbo de Risco 3,2 para o Brasil numa escala de 0 a 5,0. Para a Rússia e a China, na faixa de alto risco, a nota é 4,6. Em dezenas de países (sub)emergentes da América Latina, da África Negra, do Oriente Médio, do Leste Europeu e da Grande Ásia, o alerta vermelho aponta para 4,9. Risco de colapso em energia, telecomunicações, transportes e serviços financeiros. Quando? Na virada do ano, último réveillon do século, o do Bug do Milênio.
Assinado: Departamento de Estado, plugado no salão oval da Casa Branca de susto. Trata-se de um inventário de 194 países, abastecido pelas 194 embaixadas americanas espalhadas pelo mundo. Levantamento datado de julho sobre o que os países fazem ou deixam de fazer para encarar os perigos dessa fuzarca digital com data marcada. Ou com aviso prévio.
Repetindo: na noite de 31 de dezembro, sistemas digitais e equipamentos chipados de todo tipo, ainda com campos de data de dois dígitos, interpretarão a virada de 99 para 00, não como o festivo ingresso no ano 2000, mas como um estranho regresso ao ano 1900. E eis instalado o Kaos da YK2, sigla em inglês desse ‘‘grilo’’ da orgulhosa Economia de Informação.
O Departamento de Estado simula uma ‘‘depressão global’’ de curta duração, mas com sequelas desestabilizadoras. A confusão começaria já na segunda quinzena de novembro por obra e graça de um autêntico ‘‘recesso bancário’’ de caráter defensivo. Uma crise de liquidez sem fronteira, a dano de países emergentes que não dispensam a mamadeira do sistema financeiro internacional. Expectativa que afeta o Brasil e que já estaria bitolando um estado de ‘‘nervosismo cambial’’ nos arraiais da especulação sem bandeira.
Tomados como referência para o inventário global, os Estados Unidos despontam com Risco 2,4. O Escritório de Administração e Orçamento informa que 97% dos sistemas do governo federal estão vacinados contra o ‘‘bug’’. Façanha orçada em US$ 8,4 bilhões. Mas um relatório da Network Reliability and Interoperability Council coloca a pulga atrás de todas as orelhas: uma em cada três empresas americanas não mais tem tempo para se livrar do ‘‘bug’’. E uma em cada cinco não tem sequer planos de contingência na mesa.
E aqui no Brasil? Há riscos de cortes de energia e de telefonia. Há riscos em transportes e hospitais. Há riscos em cadeias de suprimentos. E há, sobretudo, riscos de indenizações milionárias por danos que venham a ser causados à clientela e à sociedade.



E os bancos?
- A quase totalidade do sistema bancário brasileiro (um dos mais informatizados do mundo) já fez a readequação de seus sistemas. O setor finaliza, neste mês, por exigência do Bacen, os planos de contingência.
Contingência?
- Sim. Planos de defesa dos bancos contra o ‘‘bug’’ alheio. De fornecedores em geral e de energia e telefonia, em especial. Entre outras ações, 47 milhões de contas correntes estarão copiadas no papel velho de guerra.
Aprovação
- Os gastos com remoção do ‘‘bug’’ totalizaram, até agosto, R$ 566 milhões. Valeu. O sistema passou ileso por quatro testes integrados com 19.468 agências de 184 bancos.
Nova rodada
- Já testados os serviços de movimentação, compensação, DOCs, pagamentos e cobranças, a Febraban vai comandar, na virada de outubro, os testes com operações em bolsa, centrais de liquidação e custódia e pagamentos do INSS.

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