‘‘A economia moderna imita o pára-quedas: só funciona mesmo quando está aberta’’
Albert Hirschman, economista americano
Seguro na miraA maior empresa de previdência privada do Canadá, fundada em 1847, a Canadá Life, fez ontem sua estréia no Brasil, em parceria com o Banco Pactual. E a maior empresa de seguro de vida dos Estados Unidos, a Metropolitan Life Insurance (MetLife), fundada em 1868, inicia hoje suas atividades no País. A primeira chama-se Canadá Life Pactual Previdência e Seguros. A segunda atende por Metropolitan Life Seguros e Previdência Privada. Ou MetLife Brasil.
A previdência privada complementar movimenta R$ 18 bilhões nas fundações abertas ao público em geral (de bancos e seguradoras) e estoca ativos de R$ 95 bilhões nas fundações fechadas (fundos de pensão de empresas). Esse mercado entra no vácuo da falência virtual da Previdência Pública e se apresenta como refúgio da classe média brasileira sem opção.
No setor de seguros, especialmente no ramo Vida, a invasão estrangeira serve-se da desregulamentação da atividade e da enorme demanda reprimida (mas não suprimida) dos seguros em geral. Se na previdência privada, na faixa das fundações abertas, o mercado brasileiro ainda não passa de 1,2% do PIB, no mercado segurador do ramo Vida a coisa se contenta com menos de 0,7%. É na decolagem de ambos os mercados que apostam todas as fichas a Canadá Life e a MetLife Brasil. De resto, nas trilhas de outros grupos americanos e europeus recentemente instalados entre nós.
A americana MetLife – cujo símbolo, desde 1985, é nada menos que o boneco Snoopy, de 50 anos de idade - deve faturar, este ano, cerca de US$ 30 bilhões. Ela totaliza US$ 1,7 trilhão em capitais segurados e mais US$ 370 bilhões em ativos administrados. Nos seguros coletivos de empresas, a MetLife cobre 33 milhões de trabalhadores. Nos planos individuais, 9,3 milhões de famílias.
Presidente da MetLife Brasil, Thad Burr informa que as operações diretas no mercado brasileiro começam hoje com um evento na Câmara Americana de Comércio de São Paulo: lançamento de planos de seguros de vida para grandes empresas (nos Estados Unidos, das 100 maiores da Fortune, 86 são clientes dela). Em outubro, os planos para médias e pequenas empresas. Ainda este ano, a introdução dos planos de previdência coletivos. Em fevereiro, os planos de seguro e previdência para clientes individuais.
A globalização dos negócios de seguros e de previdência privada teve início na década passada. A MetLife só botou o pé na estrada, fora dos Estados Unidos, em 1988. Hoje, ela opera em 13 países (o Brasil é o 14º). E abre escritório no planeta China.



Migração
- Enquanto o Congresso faz corpo mole com as reformas, a classe média brasileira cuida de ‘‘privatizar’’ por conta própria a Previdência, a Saúde, a Educação e até mesmo a Segurança. Funções de governo sucateadas e degradadas por décadas de incompetência, roubalheira e sonegação.
Previdência
- Os planos privados são mais sofisticados, mais inteligentes, mais rentáveis, mais modernos, mais seguros. São planos de capitalização e não apenas de repartição fajuta. No INSS, dá-se um estelionato atuarial a céu aberto.
Treinamento
- Para alargar rapidamente a fatia de mercado no ramo Vida de clientes corporativos e individuais, a MetLife Brasil passa a treinar 2.500 corretores de seguros. Eles terão crachá de consultores financeiros.
Pela Internet
- O mercado segurador também faz posição na rede global. No Brasil, essa escalada já começou.

mockup