Joelmir Beting
Jornalistas gostam de publicar tragédias. Economistas gostam de prever tragédias. O problema mesmo é quando os dois se encontram.
Fernando Henrique Cardoso, presidente da República.
Gôndolas modernas
Globalização, competição, modernização, informatização e estabilização. Eis o suculento cardápio que abastece o estômago de avestruz da rede brasileira de supermercados. Setor mais moderno, mais dinâmico e mais concorrencial do varejo verde-amarelo, os supermercados desfilam, desde ontem, no Riocentro, suas conquistas, seus problemas, seus desafios. É o Abras 99, megaevento da Associação Brasileira de Supermercados, em sua 33ª edição.
Com 550 expositores, entre os quais 112 oriundos de 32 países, o Abras 99 ocupa 100 mil metros quadrados e deve atrair 55 mil profissionais do setor até o encerramento, quinta-feira. Além da exposição de equipamentos, produtos e serviços, o encontro lança as bases da Escola Nacional de Supermercados e do Centro de Referência Tecnológica. E investe na promoção do Supermercado ECR (operação on line com fornecedores para a reposição de suprimentos em tempo real e em rotação ótima de estoques).
Campeão da automação comercial, o varejo do auto-serviço aposta bilhões de reais em sistemas de informatização. Presidente da Abras, José Humberto Pires de Araújo disse ontem que a loja digital rebaixa custos e melhora serviços dentro de um mercado cada vez mais competitivo. Estamos vivendo uma revolução tecnológica dentro de uma profunda transformação mercadológica. O perfil do setor virou um borrão (ou blur), como dizem os americanos, ainda sem contornos definidos. No Brasil e no mundo. É exatamente para enxergar pelo menos um palmo nessa cerração que o Abras 99 instala hoje, no Riocentro, uma convenção internacional, com a presença de consultores brasileiros, americanos e europeus. Na abertura, o pano de fundo do mercado brasileiro, com o ministro Pedro Malan. E um mergulho na reforma tributária, com o deputado Germano Rigotto e o tributarista Oswaldo Mattos Filho.
No painel de tecnologia, domínio dos sistemas digitais EDI e ECR e a decolagem dos negócios suplementares pela infovia do comércio eletrônico (e-commerce) da Internet. No painel de Recursos Humanos, os avanços em qualificação profissional e a estratégia de pessoal dos grupos estrangeiros para o mercado brasileiro. E, no painel de negócios, as tendências mercadológicas do setor, o processo de concentração (fusões e incorporações) e a crescente participação de redes globais no mercado brasileiro.
A concentração no Brasil assusta? Pois ela ainda está a meio caminho. Os cinco maiores grupos cobrem, hoje, 44% da rede total. Na Argentina, 57%. Na Alemanha, 73%. Na França, 84%. Que tal?
Secos e molhados
De gigantes
- Por dominar ganhos de escala pelo lado das compras, o setor de supermercados transformou-se em todo o mundo em terra de gigantes, demonstra a KPMG. Os cinco maiores no Brasil: Carrefour, Pão de Açúcar, Bompreço, Sendas e Sonae.
Sete léguas
- No mundo, a escalada do grupo francês Carrefour. Não tem fronteiras. Lojas fora da França respondem por 47% do faturamento total. No Brasil, já passa de US$ 4 bilhões.
Leque aberto
- Os hipermercados evoluem para lojas de departamentos e explicam o último suspiro do modelo tipo Mesbla, tipo Mappin. O auto-serviço também espalha-se pelas lojas de conveniência 24 horas.
Estabilização
- O poder de compra das grandes redes está travando o repasse de custos do setor industrial brasileiro nos últimos quatro anos. Uma âncora oculta da estabilização do real.





