‘‘Antes da batalha, o planejamento é tudo. Quando ela começa, o planejamento é nada’’.
Dwight Eisenhower (1890-1969), militar e político americano

Um mercado verde
Ministros de Comércio e Agricultura dos 15 países que integram o chamado Grupo de Cairns se reúnem de hoje a domingo, em Buenos Aires, para o trato de dois assuntos da maior relevância: 1) estabelecer uma aliança estratégica com os Estados Unidos; 2) costurar uma posição em bloco para as negociações da Rodada do Milênio, a partir de 30 de novembro, em Seattle, EUA.
Decodificando a notícia, Cairns é o nome de uma cidade da Austrália, onde 15 países voltados para a exportação de produtos agrícolas decidiram amarrar interesses em comum para enfrentar o protecionismo comercial de europeus e japoneses, em especial. São eles: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Indonésia, Tailândia, Fiji, Malásia, Filipinas e Canadá. Juntos, totalizam 27% do mercado agrícola global.
Rodada do Milênio é a nova conferência de chefes de Estado dos 134 países que vestem a camisa da Organização Mundial de Comércio (OMC). Em Seattle, durante cinco dias, serão lançadas as bases técnicas e políticas para o desmanche pactuado de práticas desleais de comércio no mercado abrasivo de produtos agrícolas. Essa armação deve durar três anos – se a União Européia, protecionista maior, continuar falando grosso. Ou melhor: desconversando grosso. O Grupo de Cairns propõe dois anos no máximo.
E os Estados Unidos? Donos de 36% do mercado verde global, os americanos sustentam posição ambígua nessa matéria. Admitem derrubar todas as barreiras comerciais, desde que o mundo todo faça a mesma coisa. Por enquanto, eles são liberalizantes no discurso e protecionistas no recurso. Mas já toparam subscrever as propostas do Grupo de Cairns. O secretário americano da Agricultura, Dan Glickman, já está em Buenos Aires.
Na agenda do encontro, os ministros vão dar carona a uma discussão sobre o advento dos alimentos geneticamente modificados, os transgênicos. Eles já foram aprovados por quase todos os governos do Grupo de Cairns. O Brasil ainda não se definiu. Assunto tratado, esta semana, por quem é do ramo, no 11.º Congresso Brasileiro de Sementes, que termina hoje em Foz do Iguaçu, PR. Os transgênicos também estarão a bordo da 21ª Reunião de Pesquisa da Soja, que a Embrapa realiza semana que vem em Dourados, MS.
Nota de constrangimento na reunião de Buenos Aires. O Brasil entrou ontem na OMC, em Genebra, com denúncia formal de prática de ‘‘dumping’’ nas importações de leite em pó e longa-vida procedentes de parceiros do próprio Grupo de Cairns: Argentina, Uruguai, Austrália e Nova Zelândia (além da União Européia).




Secos & Molhados
Novo padrão
- Ontem, em São Paulo, o ministro Pratini de Moraes e o secretário João Carlos Meirelles examinaram a proposta de abertura da BM&F a investidores estrangeiros.
Sem crédito
- Conclusão: dinheiro de fora aumenta a liquidez dos futuros agrícolas e alarga a arbitragem de preços de safra e entressafra. Até aqui, a diferença nas duas pontas vai de 20% a 50%. Produtores sem crédito só vendem na baixa (safra).
Todos ganham
- Maior a arbitragem no mercado futuro, menor a queda dos preços na safra e menor a alta dos preços na entressafra. O mercado fica menos instável (ou mais previsível) ao longo do ano.
Boa pedida
- Discutiu-se também na BM&F a proposta de liquidação financeira e não apenas física (entrega do produto) dos financiamentos em Cédula do Produto Rural (CPR). Isso aumentaria a aceitação da CPR pelos fornecedores de insumos. Hoje, os verdadeiros banqueiros da economia rural.

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