Joelmir Beting
O melhor programa econômico de governo é não atrapalhar aqueles que produzem, poupam, investem, empregam, trabalham e consomem.
Irineu Evangelista de Sousa (1813-1889), barão de Mauá
Pacto do emprego
A cadeia produtiva da cana, do açúcar, do álcool, do bagaço e do carro a álcool assina hoje, em São Paulo, um compromisso solene com o governo federal e com o governo paulista. O chamado Pacto pelo Emprego no Agronegócio Sucroalcooleiro. Costurado desde março, o documento coloca no seguro político a manutenção de 1,2 milhão de empregos numa esteira de produção que responde por 35% do PIB agrícola de São Paulo. Ou por quase 90% da agroindústria canavieira do País.
O pacto envolve no setor privado 14 entidades empresariais e sindicais que deitam raiz na cadeia produtiva que vai do plantio da cana à revenda e à locação do carro a álcool. No setor público, quatro ministérios e sete secretarias estaduais. Incluídas as prefeituras dos 350 municípios canavieiros do Estado.
Um vasto contrato de deveres para cada parte signatária do Pacto pelo Emprego é, por exclusão, a derradeira aposta no futuro da agroindústria canavieira. Sobretudo no destino do carro-chefe do setor, o álcool carburante, destilado nos últimos 22 anos por um investimento já consolidado de US$ 18,3 bilhões (a dólar de 1998). Com a substituição de até 230 mil barris de petróleo por dia (em energia equivalente), a mistura carburante e o carro a álcool permitiram ao Brasil, desde 1977, a dólar de 1998, uma poupança acumulada de divisas da ordem de US$ 56 bilhões.
Na exposição de motivos do pacto, a reafirmação da prioridade nacional em robustecer a matriz energética com a fonte renovável da biomassa tropical, convertida em combustível automotivo e em energia elétrica a partir do bagaço de cana. A co-geração de eletricidade nas usinas de açúcar e destilarias de álcool do interior paulista desfruta hoje de uma potência instalada para até 3.000 MW. Maior que a do futuro(?) complexo nuclear de Angra do Reis, RJ.
A listagem de obrigações será divulgada hoje na solenidade presidida pelo governador Mário Covas. São lições de casa a ser cobradas do governo estadual, do governo federal, das prefeituras, dos produtores e fornecedores de cana, dos donos de usinas e destilarias, das distribuidoras e revendedoras de combustíveis, das montadoras e distribuidores de veículos, das locadoras de automóveis e das federações e sindicatos de trabalhadores.
Eixo do compromisso em bloco: garantir o emprego dos trabalhadores a partir da recuperação da confiança dos consumidores no suprimento do álcool e no relançamento do carro a álcool. Com tratamento fiscal diferenciado e favorecido.
Secos & Molhados
Comparando
- Na respectiva cadeia produtiva, um carro movido a álcool gera 31 vezes mais empregos do que um carro movido a gasolina (sem mistura). O piso salarial na cadeia do álcool, em São Paulo, está 70% acima do salário mínimo.
Dois cavalos
- A reabilitação do carro a álcool joga com dois cavalos no mesmo páreo: 1) a emergência energética, a da alta dos preços do petróleo importado; 2) a conveniência ecológica, a da substituição do combustível sujo pelo menos sujo - objetivo universal.
Pelo pacto
- Os signatários do Pacto pelo Emprego garantem a manutenção do nível de emprego de 1º de julho de 1999 - se o carro a álcool recuperar, no mínimo, 15% do mercado. Hoje, menos de 1%.
Frota Verde
- O governo federal compromete-se com isenção do IPI para a futura Frota Verde: frotas oficiais de governos, de estatais, de locadoras e de táxis. O governo paulista reduz o ICMS do álcool, com aumento equivalente para a gasolina. Ouvido o Confaz.





