‘‘Provedores da Internet dão micros de presente. Eis uma prova acabada de que a máquina do futuro já é coisa do passado.’’
Thomas Traumann, jornalista
Bola-de-neve na rede
Nos Estados Unidos, o correio eletrônico (e-mail) já surrupiou metade do mercado físico dos Correios. No mercado corporativo, o das empresas, a substituição da correspondência convencional dos Correios já passa de dois terços do antigo negócio desbravado pelas diligências, antes do telégrafo de Morse (1846).
E aqui no Brasil? O e-mail verde-amarelo começa a comer também pelas bordas o mercado supostamente cativo da ECT. Mercado cevado pelo nanismo da telecomunicação estatal e pela plataforma ainda muito estreita dos micros, das intranets, das extranets e da própria Internet. Pelo sim, pelo não, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos acaba de servir-se da passarela da Fenasoft 99, em São Paulo, para lançar a carta de papel (para o destinatário) a partir da carta digital (do remetente). Pela Internet.
Uma saída híbrida e honrosa para a bola-de-neve da Web nos negócios das telecomunicações - agora que o computador ensaia substituir algo mais que o malote dos Correios, também a telefonia, a loja, a escola, a agência bancária. A carta digital da ECT é colocada pelo internauta no site da estatal (www.correiosonline.com.br), é impressa na Central dos Correios, dobrada automaticamente e entregue ao destinatário em no máximo 24 horas nas cidades já incluídas no serviço. Tarifa de R$ 1,57 no cartão de crédito. Tarifa válida igualmente para cartas digitadas do exterior. Um dekassegui gasta, hoje, US$ 9,20 por carta remetida do Japão.
O espalhamento da Internet é a grande atração também do Congresso da Fenasoft, que termina amanhã. E do temário centrado na Web, o campeão de audiência não é o e-mail, mas o e-commerce. Que dá carona ao e-service. Peritos do ramo discutem em meia dúzia de painéis questões do tipo explosão das vendas de produtos e serviços on-line, grau de segurança (ou não) das transações em rede, obsolescência programada dos PCs de mesa (que já viraram brindes ofertados por provedores a novos assinantes da Web americana) e os ensaios de tributação e de tarifação dos negócios e dos serviços a bordo da Internet.
Única certeza, por enquanto: o comércio eletrônico deve saltar, em todo o mundo, de US$ 43 bilhões, em 1998, para US$ 1,3 trilhão em 2003.




Secos & Molhados
Embrionário
- No Brasil, lojas, fábricas e serviços em oferta na rede ainda apalpam o terreno. Há um déficit de confiabilidade no sistema - tal como ocorreu na decolagem do e-commerce nos Estados Unidos, lembra o pessoal do The Boston Consulting Group.
Preconceito
- O déficit de confiabilidade na Internet é fruto de um preconceito que normalmente acompanha os lances espetaculares da inovação tecnológica. É o que diz Antonio Tavares, presidente da Associação Brasileira dos Provedores de Internet (Abranet). Ainda assim, vendas on-line devem passar de R$ 250 milhões este ano (média de R$ 135 por operação).
Sétimo do mundo
- No PIB dos bens e serviços de informática, o Brasil já faz parte do G-7. Com vendas, este ano, de US$ 20 bilhões (a dólar de 1998), o mercado brasileiro deve superar o italiano, com US$ 19 bilhões, escalando a sétima posição do ranking global da Forrester. Na ponta, of course, os Estados Unidos, com US$ 355 bilhões.

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