Joelmir Beting
No fundo, as empresas realmente de sucesso são guiadas menos pela busca do lucro e mais pela conquista e ampliação do poder.
Sandy Weill, co-presidente do Citigroup
Toque de Midas
FFundada em abril de 1975, a Microsoft de William Henry Gates III está valendo no mercado de ações exatamente meio trilhão de dólares. Trata-se da empresa mais valorizada do mundo e da História. A segunda colocada, a General Electric, continua abaixo de US$ 400 bilhões.
Qual é o toque de Midas de Bill Gates, 43 anos, dono de 19,4% do valor de mercado da Microsoft? Homem mais rico de todos os tempos e lugares, ele não é dono de campos de petróleo, de reservas de carvão, de usinas de aço, de complexos da química, de montadoras de automóveis, de cartéis da droga, de latifúndios em produção, de conglomerados financeiros. Ele é dono do ativo mais valioso da sociedade humana nesta virada do terceiro milênio: o conhecimento.
Conhecimento transformado em percepção de mercado, em decisão de negócio, em execução de projeto, em aferição de resultado. Com apenas 19 anos de idade, ainda estudante em Harvard, Gates juntou-se com o colega Paul Allen para desenvolver programas (software) para microcomputadores (hardware). E cadê os micros? Na época, era ainda simples miragem a idéia de computadores de uso pessoal em casa, no trabalho ou na escola. É como se alguém, hoje, estivesse desenvolvendo robô para automóvel sem motorista.
Pois o PC estourou na praça e o programa Windows, lançado por Gates em 1985, faz funcionar, nesta altura do calendário, 88% dos 275 milhões de micros espalhados pelo mundo. Com a Microsoft apostando agora todas as fichas de ouro na consagração definitiva da Internet. Com direito a processos judiciais por práticas abusivas de mercado. Ou de poder adquirido.
Poder que se mede menos pela fatia de 88% do mercado global e mais pelo valor de mercado do estoque de ações nas mãos da empresa, nas carteiras individuais dos controladores e no portfólio dos investidores em geral. É o público (e não a empresa) que pensa que a Microsoft vale US$ 500 bilhões.
Pelos postulados da ciência econômica, é difícil de engolir esse novo paradigma da Economia do Conhecimento. Ou da Economia da Informação. A Microsoft tem um ativo físico ou real de apenas US$ 11 bilhões, contra US$ 68 bilhões da General Motors, maior corporação industrial do mundo.
Fatura US$ 15 bilhões por ano, contra US$ 160 bilhões da GMC. Mas o mercado de capitais, que pensa que a Microsoft vale US$ 500 bilhões, é o mesmo que acha que a General Motors vale, hoje, no máximo, US$ 84 bilhões.
Secos & Molhados
Ranking global
- O ranking das 500 maiores empresas do mundo, em vendas, o da Fortune, coloca a Microsoft em 127º lugar.
Uma covardia
- Comparar valor de mercado de uma empresa com o produto interno bruto de um país é como comparar celular com melancia. Vale, a curiosidade estatística: o valor da Microsoft supera a soma dos PIBs da Argentina, Chile, Colômbia e Venezuela.
Bola-de-neve
- O faturamento da Microsoft cresce 27% ao ano na média do triênio 1996/98. No Brasil, 39%. A receita deste ano, entre nós, está estimada em US$ 355 milhões. Metade do que ela espera faturar em toda a América Latina.
Quanto ganha?
- Sobre vendas de US$ 15 bilhões, a Microsoft lucra US$ 4,5 bilhões. Ela reinveste metade do lucro em pesquisa e desenvolvimento. Alguém segura essa prensa?





