‘‘No mercado das tecnologias da informação, há hoje mais capitais em busca de projetos do que projetos em busca de capitais.’’
Christopher Meyer, consultor americano, co-autor de Blur (Campus)

Rodeio de bits e chips
Um milhão de visitantes em sete dias de exposição pirotécnica de produtos e de serviços de automação, informática e telecomunicação - o tripé da Idade Digital. Eis a medida do interesse popular que desperta a Fenasoft 99, que se abre segunda-feira, no Anhembi, em São Paulo. A hotelaria da região metropolitana registra, em reserva firme, uma taxa de ocupação superior a 90% para toda a semana. E o que dizer das 410 caravanas estudantis de todo o País já credenciadas nas portarias da exposição e do congresso? Claro, via Internet (http://www.fenasoft.com.br).
Presidente da Fenasoft, Max Gonçalves diz que a Internet abre os cotovelos na exposição e empolga o temário do congresso - que também reserva espaço nobre para a discussão do Bug do Milênio e para a explosão, entre nós, do mercado corporativo dos softwares de gestão. A Internet triplicou de tamanho no Brasil em apenas 24 meses. Ela acaba de virar o semestre com mais de 4 milhões de internautas congestionados, torcendo pela expansão da plataforma de telecomunicação, agora sob domínio privado ainda desajeitado.
Aescalada da Internet explica o espalhamento, entre nós, das grandes estrelas globais da Web: Starmedia, Yahoo! e Universo Online (uol). Até dezembro, estréia também da América Online (aol) e da Olé! espanhola, a bordo da Telefônica, que já comprou a Zaz verde-amarela. Provedores brasileiros assustam-se com a invasão estrangeira. Fenômeno, de resto, já esperado, suspira Antonio Tavares, presidente da Associação Brasileira dos Provedores de Internet (Abranet). Os internautas não se queixam.
Pelos corredores não menos congestionados da exposição de produtos e sistemas, a Fenasoft faz desfilar um showroom do futuro que já chegou. Caso, num destaque ao acaso, do celular múltiplo da Qualcomm americana, vulgo PdQ smartphone. A maquineta de 16 cm e 230 gramas junta agenda eletrônica com modem plugado na Internet e, nas horas vagas, também funciona como telefone de alta capacidade e alta definição. Ah! Já está no mercado americano e não é de graça. O deslumbrado paga hoje US$ 499 por ela.
Pesquisa da agência F/Nazca Saatchi & Saatchi para o provedor ZipMail revela que metade dos internautas navega diariamente pela rede. São 2 milhões de clientes em potencial para qualquer oferta adequada. Como a Internet e as intranets corporativas vão dobrar de tamanho em mais nove meses, Max Gonçalves calcula que estará então formada a massa crítica para a explosão do comércio eletrônico no Brasil. Já escalado para vedete da Fenasoft 2000.




Secos & Molhados
Controvérsia
- E tome discussão em meio mundo sobre o império da Internet em nossas vidas. Já se fala até mesmo em movimentos organizados de rejeição aos avanços da rede global. Em relatório desta semana, a ONU propõe a tributação da Internet. Quando sequer se consegue fazer a tarifação de serviços dentro dela.
Sem saída
- Andy Grove, da Intel, diz que uma pessoa pode
ficar fora da Internet numa boa. Há bilhões de terráqueos ainda sem automóvel, sem telefone ou sem comida. Quem não pode isolar-se da rede, doravante, é a empresa de qualquer porte, setor e lugar.
Padroeiro
- Na Exame, Luciane Sniecikoski comenta a recente escolha de Santo Isidoro para patrono da Internet (assim como Santa Clara é a padroeira da televisão). O monge espanhol de Sevilha produziu o primeiro banco de dados da História, a enciclopédia manuscrita Etimologias, em 20 volumes. Quando? Entre os anos 620 e 636.

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