Joelmir Beting
A alma do negócio no negócio do turismo é empregar e estimular pessoas que gostem de pessoas.
Marcos Arbeitman, secretário estadual de Turismo de São Paulo
Indústria do otimismo
Porque o Brasil não afundou após o carnaval nem vai acabar antes do Natal, a indústria do turismo registra, nesta trégua de julho, um movimento maior que o esperado nas estradas, nos aeroportos, nas estâncias de inverno, nas festanças nordestinas, nos hotéis, nos aviões e nos endereços e eventos de lazer, cultura e showbizz. Um ganho real de mercado de aproximadamente 7% sobre julho do ano passado, segundo os sensores da Embratur.
O aquecimento do turismo interno nesta safra de inverno também guarda relação com o ajuste cambial do primeiro semestre. A desvalorização acumulada do real, da ordem de 45% agora em julho, explica a reversão do turismo para fora em proveito do turismo aqui por dentro. Além do fluxo maior de estrangeiros, desde o carnaval da perplexidade nacional, dólar então acima de R$ 2,00.
Apuração da Embratur, ajudada pela Associação Brasileira dos Agentes de Viagens (Abav), revela que o total das vendas de pacotes turísticos domésticos ultrapassou, em valor, o total dos pacotes internacionais - pela primeira vez desde a estréia do Real. Tomando-se o comparativo do primeiro semestre, os pacotes externos declinaram do pico de 72% do bolo, em 1996, para 51% ano passado e para 40% este ano. Os pacotes domésticos, portanto, saltaram, no período, de 28% para 60%. Provavelmente, a caminho de 75% em 2001.
Na recepção de turistas estrangeiros (incluídos os visitantes a negócio e a trabalho), a Embratur espera alcançar, este ano, perto de 5,1 milhões, contra 4,8 milhões no ano passado. Ou 3 milhões em 1994. A receita cambial pode cravar o recorde de US$ 4 bilhões.
No desembarque de estrangeiros, ainda não dá para soltar rojão de quermesse, diz Caio Luiz de Carvalho, presidente da Embratur. Já dobramos a recepção externa no Plano Real e temos de aumentar esse resultado em mais 50% em três anos, se tanto. Nossa fatia no mercado global do turismo além-fronteira não deve passar, este ano, de 0,8%. Em todo o mundo, esse mercado ensaia movimentar, este ano, cerca de US$ 450 bilhões.
O turismo doméstico, nos 178 países rastreados pela Organização Mundial de Turismo (OMT), pode totalizar US$ 3,1 trilhões em 1999. A fatia brasileira aproxima-se de 1,2%, com US$ 37 bilhões no fluxo doméstico - se confirmado para todo o ano o ganho real de 7% estimado agora de janeiro a julho. O detalhe: no estoque de empregos sustentados pelo turismo e derivados, a participação brasileira sobe para 2,1% do inventário global. Ou 5 milhões de empregos no Brasil para 260 milhões em todo o mundo.
Secos & Molhados
Acelerando
- Estudo da OMT sobre tendências do mercado turístico nas três Américas aponta para o Brasil um crescimento de 10% ao ano no triênio 2000/2001. Nessa toada, o mercado brasileiro dobra de tamanho até 2007.
Infra-estrutura
- Novos projetos turísticos em andamento no País totalizam investimentos de US$ 6,8 bilhões. Dos quais, US$ 1,3 bilhão de grupos estrangeiros. Cerca de US$ 1,7 bilhão de projetos de infra-estrutura básica no Nordeste, Amazônia e Pantanal.
Reviravolta
- De abril para cá, reativação pirotécnica no turismo de eventos e negócios, prato de resistência da hotelaria da Grande São Paulo e arredores. Em média, as empresas reservam 7% dos custos totais para viagens e representação.
Novo salto
- A reversão das expectativas é o motor de ignição do novo salto do turismo corporativo. Mercado avaliado em 22% do turismo brasileiro total, segundo Amaury Caldeira, presidente do Fórum de Agências Especializadas em Contas Correntes.





