‘‘A Internet desafia e supera as três leis do universo: a do espaço (conectividade), a do tempo (velocidade) e a da massa (intangibilidade).’’
Stan Davis, consultor americano, co-autor de ‘‘Blur’’ (Campus)


Digital Woodstock
Eles não se assustam com o processo de ‘‘criminalização dos delitos digitais’’, em andamento nos Estados Unidos e na União Européia. Bem ao contrário. Os ‘‘hackers’’ de meio mundo acabam de programar, de 6 a 8 de agosto, nos arredores de Berlim, o primeiro Festival do Chaos Computer Club. A quem interessar possa: www.ccc.de é a senha para entrar na farra virtual.
Do programa constam testes de novas técnicas de invasão, novos dribles na criptografia estabelecida e duelos entre os ídolos da molecagem cibernética e da pirataria on-line. Há um aviso no site do Chaos: será desmoralizada a SDMI, sigla em inglês da Iniciativa para a Música Digital Segura, que as gravadoras de CDs lançam na próxima semana para espancar a pirataria do ramo e cortar as asas de anjo do sistema MP3.
Nos Estados Unidos, onde tudo acontece em dimensão telúrica, os talentosos ‘‘hackers’’ não se contentam em invadir, bagunçar e surrupiar sistemas e programas de empresas e de famílias. Eles capricham em desafiar a fortaleza criptográfica dos governos. Começando pelo Pentágono, com sobras para o Capitólio e a Casa Branca de susto. E o que dizer das tentativas de assalto virtual e sem risco aos ativos bancários?
Será que acabaremos embarcando na mesma solução escapista das autoridades americanas? Estas deram de contratar ‘‘hackers’’ confiáveis e não menos talentosos para detectar, delatar (e deletar) os ‘‘hackers’’ malvados. São os novos justiceiros da Idade Digital, escreve o The Wall Street Journal.
Tecnicamente (e juridicamente) tem sido menos complicado enfrentar o arrastão da pirataria no mercado de produtos e serviços da economia digital. No caso brasileiro, os bandoleiros do gênero podem pegar até quatro anos de cadeia real. Afinal, a pirataria de software acaba de ser estimada, entre nós, para este ano, em US$ 850 milhões (contra US$ 370 milhões no ano passado). Em se cravando essa nova marca, o Brasil despontará em terceiro lugar no ‘‘ranking’’ da pirataria universal.
Abaixo apenas da China (US$ 1,3 bilhão) e dos Estados Unidos (US$ 3,2 bilhões). Fonte: Business Software Alliance. Segundo a Alliance, a taxa de pirataria está abaixo de 50% da produção mundial de software, da ordem de 670 milhões de novos programas por ano. No Brasil, a rapina acaba de ser estimada em 65%. Os campeões, acima de 90% dos respectivos mercados, são a Rússia, o Vietnã e a China.




Secos & Molhados
Na justiça
- A Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) não se limita em contar as baixas desse campo de batalha. Ela flagra e processa piratas que se expõem airosamente em anúncios comerciais, pontos-de-venda e sites da Internet.
Máfia pura
- Advogados da Abes falam em máfia de grosso calibre atuando na falsificação de programas - além dos piratas de fundo de quintal. São programas produzidos em laboratórios servidos por especialistas em destruir os sistemas de proteção dos programas e direitos afins.
Maior ainda
- Peritos da Abes vão além dos US$ 850 milhões estimados pela Alliance. Admitem perdas de mercado, este ano, da ordem de US$ 1,2 bilhão. Incluídos, no cálculo, videogames e programas escolares.
Quem perde
- A pirataria de US$ 1,2 bilhão significa a perda de 80 mil empregos com registro em carteira. Ou 19 vezes o valor das exportações de software verde-amarelo.

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