‘‘Dizem que as lavouras transgênicas podem ser monitoradas com segurança. Mas quem vai controlar os ventos e as abelhas?
Príncipe Charles, herdeiro da coroa britânica

Semana transgênica
No limiar da decisão de plantio para a próxima safra de verão, o Brasil ainda não sabe se vale a pena ou não mergulhar de cabeça no advento das sementes transgênicas ‘‘made in’’ Estados Unidos (Monsanto), Alemanha (AgrEvo) e Suíça (Novartis). No caso, sementes de soja, de milho e de arroz. Resposta, a partir de hoje, em Porto Alegre, na 51ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
Polêmica universal, a manipulação genética dos alimentos aluga um terço do temário do encontro anual dos cientistas brasileiros, iniciado ontem. Hoje, o simpósio Plantas Transgênicas - da Genética aos Alimentos. Amanhã, simpósio sobre aspectos econômicos dos transgênicos.
Quinta-feira, conferência e debate sobre transgênicos, saúde e meio ambiente. Exposição de Mário Toscano Brito Filho, da Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNBio). E, na sexta-feira, mais dois simpósios paralelos, ampliando a discussão dos produtos transgênicos nos seus aspectos científicos, econômicos, ambientais, éticos e políticos. Detalhes disponíveis no site da SBPC na Internet (http://www.sbpc.net.org.br).
PPrato cheio, certo? Pois não é tudo. Instala-se também hoje, em Londrina, PR, o seminário internacional Alimentos Transgênicos no Brasil e no Mundo. Realização da Embrapa, em parceria com a International Business Communication (IBC). A abrasiva matéria será tratada em duas frentes: 1) aspectos jurídicos da biotecnologia; 2) cautelas adequadas na produção, comercialização e consumo de alimentos geneticamente modificados. Presença de cientistas e executivos do Brasil, Estados Unidos e União Européia. Detalhes no e-mail: [email protected] A Embrapa lidera movimento de formação de uma rede nacional de suporte aos testes de produtos transgênicos, com participação de institutos de pesquisas e universidades brasileiras. Testes exigidos pela CTNBio, mas que estão sendo realizados, até aqui, no exterior. A legislação brasileira de biossegurança aceita laudos de entidades estrangeiras - caso da americana Food and Drug Administration (FDA). Que, a propósito, já deu sinal verde para os ‘‘transgênicos de mercado’’. Na soja, sementes transgênicas cobrem 55% do plantio da atual safra de verão, contra menos de 35% na safra anterior.
Aqui no Brasil, o cultivo de sementes transgênicas já foi aprovado pela CTNBio, mas vai tropeçando em liminares da Justiça e em embargos sumários de autoridades estaduais. Caso do governo gaúcho de Olívio Dutra. Anfitrião, esta semana, dos 4.500 cientistas da SBPC.




Secos & Molhados
Compensação
- Na reunião de Porto Alegre, a SBPC arredonda a proposta de tributar em 0,5% do faturamento as empresas transnacionais que dominam os transgênicos no Brasil e no mundo. A receita financiaria pesquisas e análises de risco da Embrapa e do Ibama.
Rastreabilidade
- Alimentos processados com vegetais e animais transgênicos terão de informar isso no rótulo, decidiu o governo. Outras exigências técnicas permitirão a rastreabilidade de transgênicos sem rotulagem.
Confiabilidade
- Sistema correto de rotulagem não dispensa um rigoroso esquema de rastreabilidade. Isso é que dará segurança à liberdade de escolha do consumidor. Parecer dos professores Sérgio Lazzarini, Fábio Chaddad e Marcos Fava Neves.
Concentração
- Fusões e incorporações a toque de caixa no mercado já ‘‘desnacionalizado’’ das sementes certificadas. Quatro multinacionais dominam hoje de 60% a 90% das sementes de soja, milho, trigo e algodão.

mockup