Joelmir Beting
Existem mais pessoas e empresas que desistem do que pessoas e empresas que fracassam.
Henry Ford (1863-1947), industrial americano
Espanha supera Alemanha
Quase que da noite para o dia, a Espanha acaba de ultrapassar a Alemanha no ranking dos maiores investidores estrangeiros (de capital produtivo) na economia brasileira. É o que revela um estudo do banco espanhol Bilbao Vizcaya, também ele um investidor tardio no sistema financeiro nacional. Os Estados Unidos lideram a nova classificação com US$ 38,5 bilhões. A Espanha aparece em segundo, com US$ 10,9 bilhões. A Alemanha, em terceiro, totaliza US$ 10,5 bilhões. Em quarto, o Japão, com US$ 8,7 bilhões. Em quinto, a França, com US$ 8,6 bilhões.
Destaque também para Portugal. Em cinco anos, escalou do 18º para o 9º lugar, com US$ 5,5 bilhões. Já à frente da Suíça e a menos de US$ 1 bilhão da Grã-Bretanha, Itália e Holanda. Computados os negócios ensaiados no primeiro semestre deste ano por corporações lusitanas, Portugal pode fechar o ano em sexto lugar. Autêntica redescoberta do Brasil, com um século de atraso.
Qual é o pulo-do-gato da Espanha, com sobras para Portugal? Os atrativos do mercado brasileiro? Os apêndices do Mercosul? Afinal, espanhóis e portugueses não eram chegados ao exercício da extroversão econômica. Nem mesmo dispunham, até recentemente, de empresas de classe mundial, com escala global. Incluídos os respectivos monopólios estatais, recentemente privatizados.
O pulo-do-gato da Espanha e de Portugal, economias de baixa apetência para os padrões europeus, americanos e japoneses, chama-se euro. Sim, a moeda única da União Européia. Ou mais precisamente: ela abriu o acesso de empresas espanholas e portuguesas a capitais ociosos da própria comunidade de 11 países que hoje integram a chamada Euroland.
Um novo poder de fogo, que explica lances estrepitosos. Na semana passada, por exemplo, a Repsol, gigante espanhola da energia, comprou a YPF, gigante Argentina do petróleo. Brandindo um cheque de 13,7 bilhões de euros. Ou 30% mais do que as empresas espanholas investiram até hoje no Brasil, em dólares.
PPresidente da Repsol, Alfonso Cortina diz que a fusão dos mercados financeiros e de capitais da Euroland criou um vasto colchão de liquidez para as empresas espanholas (e portuguesas). Empresas que estavam amarradas por mercados nacionais acanhados, com déficits e juros elevados e cercadas de riscos cambiais por todos os lados... A moeda única virou nosso jogo na Europa e financiou nossa ofensiva na América Latina, disse Cortina ao The Wall Street Journal.
Secos & Molhados
Impensável
- Empresas espanholas e portuguesas deram de lançar bônus em euros e estão obtendo fora de casa uma demanda duas vezes maior que a oferta. Este ano, a captação em bloco, em euros, já passa de US$ 22 bilhões.
Sem grilo
- A desvalorização do euro diante do dólar, de 14% desde sua estréia em janeiro, não incomoda as empresas ibéricas. Elas perdem poder de compra nos investimentos externos, mas ganham maior competitividade no comércio internacional.
Uma ousadia
- A penetração espanhola na economia brasileira é tão afrodisíaca que a Bolsa de Valores de Madri acaba de acertar com a Bovespa a criação de uma Bolsa de Valores Ibero-Americana. Com sede em Madri. Assunto levado esta semana a FHC e à CVM.
Um destino
- Madri quer ser a porta de entrada do Mercosul no mercado de capitais da Euroland. A nova bolsa seria a aliança de noivado da futura área de livre comércio Mercosul-União Européia.





