‘‘Micro não conectado é como neurônio isolado: é burro. Ligado em rede, é como o nosso cérebro: é inteligente.’’
Kevin Kelly, editor da revista ‘‘Wired’’

Economia em rede
Os impactos da explosão da Internet nas empresas brasileiras de todos os setores e tamanhos foram discutidos terça-feira e ontem no Ibest Fórum 99, realizado pela Mantel, em São Paulo. Mais de 500 executivos das áreas de computação participaram do debate de idéias, desafios, soluções e benchmark em Internet e comércio eletrônico. Com exposição de empresas com sites vitoriosos na rede, ganhadoras do Prêmio Ibest 99, o Oscar brasileiro da Web.
Presidente da Mantel, Marcos Wettreich diz que o Fórum 99 comprovou que a expansão da Internet no mercado corporativo se faz em quantidade e em qualidade: ‘‘Não basta dispor da tecnologia. É preciso tirar o melhor proveito dela. E, como se viu nos ’apresentados, nossos ’estão dando conta do recado. A tal ponto que consultores americanos apontam o Brasil, doravante, como o segundo mercado de maior potencial de crescimento na Web, depois dos Estados Unidos.’’
Ainda estamos esquentando os motores. Temos 4,2 milhões de internautas nesta virada do semestre. Nos Estados Unidos, 73 milhões, segundo a International Data Corporation (IDC). Em todo o mundo, perto de 165 milhões. Entre nós, limitações da infra-estrutura de telecomunicação (em tempo de transição institucional e de migração tecnológica) comprometem o disparo dos negócios em rede. A plataforma ainda estreita de micros (menos de 7 milhões) igualmente faz a Internet chorar na rampa tupiniquim.
Quem está operando inteligentemente com ela não tem do que reclamar. No Ibest Fórum 99 foram apresentados os casos de sucesso do Bradesco, Kodak, Nestlé, Pão de Açúcar, Sony, MTV, Microsoft, UOL, Família Miner, Amyr Klink, Cadê?, Turma da Mônica, Zaz, Chico Buarque, Automóvel Online, Receita Federal e Casseta & Planeta. Esta última, no relato de Marcelo Madureira. Que não perdeu a viagem, sapecando o tema: ‘‘Como ganhar dinheiro, conquistar mulheres e dominar o mundo através da Internet.’’ Pode?
Segmento charmoso do E-service, o comércio eletrônico no Brasil também ainda apalpa o terreno. As vendas de produtos e serviços pela Internet somaram US$ 85 milhões no ano passado e ensaiam furar a barreira dos US$ 200 milhões este ano. Na direção de US$ 4 bilhões em 2003, segundo a IDC Brasil. No mundo, o salto no mesmo período será de US$ 154 bilhões para US$ 1,3 trilhão. Dos quais, dois terços nos Estados Unidos.




Secos & Molhados
Bola-de-neve
- Estudo da Universidade do Texas revela que os negócios que se movem pela Internet americana totalizaram US$ 308 bilhões no ano passado. O comércio eletrônico entrou com um terço disso.
Plataforma
- Empresas que alimentam a Internet com produtos, sistemas e serviços faturaram US$ 148 bilhões. No segmento de programas e domínios, outros US$ 58 bilhões.
Quem faz
- O mesmo estudo mostra que a Internet sustenta, por enquanto, 1,2 milhão de empregos. Esse mercado de trabalho, maior que o do setor automotivo, não existia há pouco mais de cinco anos.
Quem usa
- Com micro de US$ 750 em oferta pela própria Web, quatro em cada dez famílias americanas estão plugadas na Internet. Já não mais se trata de um mero ‘‘nicho de mercado’’.

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