‘‘E pra encerrar esta grande festa corintiana, gostaria de agradecer a Antártica pelas brahminhas que nos ofertou...’’
Vicente Matheus (1909-1996), presidente do Corinthians

Os lados da bola
No ‘‘front’’ da guerra santa contra a inflação, o Plano Real não perdeu a viagem, que já dura cinco anos. Os preços em liberdade, sem congelamento, sem tabelamento, sem monitoramento, continuam bem comportados. O sistema conseguiu neutralizar a bolha inflacionária do choque cambial trapalhão de janeiro e fevereiro e leva jeito de deglutir com casca e tudo também o tarifaço não menos trapalhão de junho a julho. O efeito estabilizador do Real permanece ativo.
É o que reconhece o economista Antonio Prado, coordenador de Produção Técnica do Dieese, apresentando o balanço do Plano Real, elaborado por uma equipe de 20 técnicos da instituição de pesquisa econômica e social dos sindicatos de trabalhadores de todo o País. Ele aponta para um par de números: a inflação média mensal caiu de 21,26%, em 1994, para nada além de 0,04% no ano passado. Com deflação em maio último, ainda no rabo de foguete do choque cambial.
E o que dizer da cesta básica, menina dos olhos da classe trabalhadora? Ainda que sob pressão de demanda (pelo impacto redistributivo inicial da estabilização), a cesta básica Dieese/Procon, pesquisada na capital paulista, acumulou, em cinco anos, uma elevação de apenas 18,4%. No mesmo período, o Custo de Vida (ICV), do próprio Dieese, acumulou elevação de 72%. O detalhe: a cesta básica é composta por produtos de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica. Que são blocos de preços praticados por oligopólios privados. O custo da cesta básica de alimentos, pesquisada diariamente em 16 capitais, caiu do equivalente a 305 horas de trabalho (pelo rendimento médio), na decolagem do Real, para 175 horas, em maio último.
O rendimento médio real do trabalho principal dos ocupados subiu, em São Paulo, de R$ 806, em 1994, para até R$ 907, em 1997, declinando para R$ 877, em 1998. No período, o salário mínimo teve ganho real de 19% (contra a promessa oficial de 100%).
O balanço do Dieese destaca desvios de rota nas políticas de câmbio e de crédito e relata o aumento dos desequilíbrios nas finanças cúbicas e nas contas externas. E, na linha da unanimidade nacional, elege a desaceleração purgativa do PIB (escoltada pela modernização do processo produtivo), como a causa maior do aumento do desemprego. Na Grande São Paulo, a taxa média anual da desocupação patogênica subiu, em cinco anos, de 14,2% para 18,3%. Ano passado, o desemprego paulistano só não foi maior que o desemprego baiano, o de Salvador, com 24,2%.




Secos & Molhados
Longa espera
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Em cinco anos, o tempo médio que se leva para encontrar novo trabalho passou de 22 para 36 semanas em São Paulo. Ou 52 semanas em Brasília. É o que revela o balanço da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Dieese/Seade.
Mais de um ano
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O porcentual de desempregados em busca de trabalho há mais de um ano subiu para 18,1% em Porto Alegre, para 24,1% no Distrito Federal e para 27,9% em São Paulo. Sem contar os que desistiram dessa busca - por desalento.
Jornada maior
- Com ou sem faturar hora extra, cresceu o porcentual de ocupados trabalhando mais que a jornada legal: 43,5 do total em São Paulo e Belo Horizonte e 44,3% em Salvador.
Flexibilização
- O desemprego amoleceu a resistência dos sindicatos à flexibilização legal (e informal) dos contratos de trabalho. O balanço do Dieese refaz a cronologia do processo desde 1994. Abriu-se muito mais do que a gente imagina.

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