‘‘A queda da inflação não foi uma virtuosidade do Plano Real, mas a consequência de uma brutal recessão.’’
José Genoíno, deputado federal (PT-SP)

Aniversário ou velório?
Do parlamentar José Genoíno ao empresário Paulo Cunha, passando pelo economista Celso Furtado, o Plano Real não foi além de uma ‘‘frustração coletiva’’ que só fez por agravar os problemas econômicos e sociais de ‘‘um Brasil sem esperança’’, agora ostensivamente ‘‘tutelado pelo capitalismo central e sem pátria’’. Um veredicto sepulcral, endossado pela maioria dos analistas neste quinto aniversário do Plano Real.
Quinto aniversário? Quem diria? Não era um plano meramente eleitoreiro, turbinado para uma vida airosa de apenas cinco meses e não de cinco anos? Como explicar a inflação ainda hoje na jaula, com direito à deflação no rodapé da bolha inflacionária de janeiro e fevereiro? Afinal, qual era o objetivo supremo do Plano Real? Não era o da realização da felicidade nacional bruta. Como todo programa de estabilização, por definição, a missão quase impossível do Plano Real era a de expulsar do cotidiano dos brasileiros a matriz de todos os males econômicos, sociais, políticos e morais - a inflação rosca sem-fim, da variedade indexada ou inercial. Única no mundo.
Pois esse compromisso foi progressivamente cumprido e está sendo ainda hoje devidamente concretado. E sem a pajelança do congelamento de preços e contratos. Tome-se o Índice de Custo de Vida (ICV), do Dieese. Ele despencou de 911%, em 1994, para 0,5%, em 1998. A inflação média mensal desabou, no mesmo período, de 21,26% para 0,04%. Neste semestre, mesmo com desvalorização cambial trapalhona e com tarifaço corretivo de preços ainda administrados pela burocracia estatal, o ICV não deve ter passado de 2,80%.
Tradução: não há sinais de fadiga do material no programa de estabilização. O tempo continua jogando a favor e não contra o Plano Real. Que completa, hoje, cinco anos e quatro meses de carreira (desde a estréia da URV em março de 1994).
Qual é a mágica? Dizia-se até 15 de janeiro que o sucesso do Plano Real nada mais era que uma ficção monetária chamada âncora cambial. Bastaria tirar o cabresto do dólar para acabar com a estabilidade dos preços e reindexar a inflação mensal de dois dígitos... Pois acabou a âncora cambial e não acabou o Plano Real.
Agora, entre constrangidos e perplexos, os analistas distraídos elegem nova explicação esotérica para a inflação outra vez a caminho de zero: a recessão. Que recessão? No Plano Real, o PIB não murchou. Cresceu 3,3% ao ano (1994 a 1998). No governo Collor, média anual de apenas 0,13% (1990 a 1993). Na década passada, nos governos Figueiredo e Sarney, média também pífia de 2,9%.



Lógica pura
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Se recessão derrubasse inflação, Collor, o Demolidor, teria acabado com ela. Bem ao contrário, em todos os ciclos de recessão verdadeira, tivemos recargas da ‘‘stagflation’’: inflação em alta casada com produção em baixa.
Cesta básica
- E o que dizer dos preços da cesta básica apurado pelo Dieese/Procon? Mesmo sob pressão de demanda (incorporação de mais 13 milhões de consumidores de baixa renda desde julho de 1994). O custo dela subiu apenas 18% em cinco anos.
Ganho real
- O efeito redistributivo do Plano Real também bate ponto na cesta básica. Ela valia 275 horas de trabalho em maio de 1994. Contra 170 horas em maio de 1998. No período, o salário mínimo aumentou 19% em termos reais.
De 16 dígitos
- O Plano Real destruiu a causa maior da desigualdade no Brasil. Durante 30 anos de indexação, metade da população tinha correção monetária. A outra metade, corrosão inflacionária. No período, inflação acumulada de 1,1 quatrilhão por cento!

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