‘‘Nosso maior dever de casa, nesta virada do milênio, deveria ser uma reforma agrícola abrangente, competente e urgente.’’
João Carlos Meirelles, secretário da Agricultura (SP)

Plano Verde Trienal
O plano da safra 1999/2000 será anunciado, sexta-feira, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O Ministério da Agricultura, da raia desenvolvimentista, tenta descolar do Ministério da Fazenda, da ala contencionista, um crédito rural da ordem de R$ 15 bilhões (R$ 12 bilhões para custeio e R$ 3 bilhões para benfeitorias). No custeio, algo parecido com um aumento de 70% sobre os recursos efetivamente liberados nesta safra 1998/1999, ainda no cultivo das lavouras de inverno.
Quem está com a chave do cofre é o Tesouro Nacional. Compete ao Tesouro subsidiar a diferença entre os custos de captação dos recursos e os juros de aplicação dos créditos. Nos financiamentos agrícolas, a taxa não tem passado de 8,75% ao ano. Nesta década, pela média anual, o crédito rural cobre menos de 10% do valor total da produção agropecuária. Na década passada, 17%. Na década de 70, mais de 60%. Andamos para trás.
Para trás no banco, mas não na terra. Desde 1980, a produção vem crescendo por alargamento do espaço ocupado e por rendimento maior do hectare cultivado. A produção de grãos cresceu 55%. Alcançando neste ano-safra perto de 83 milhões de toneladas. A produtividade por hectare cresceu 74%, passando da média de 1.200 quilos para 2.200. Poderia crescer mais 50%, no mínimo.
A novidade maior do anúncio presidencial de sexta-feira será o lançamento de um primeiro plano plurianual para o setor agrícola. ‘‘Serão definidas metas mais arrojadas para a economia rural brasileira no curso de três anos-safra consecutivos’’, diz Ibrahim Faiad, secretário de Política Agrícola. A barreira de 100 milhões de toneladas de grãos seria atravessada na safra 2000/2001. A próxima ficaria em torno de 91 milhões.
Os produtores de grande e médio porte apelam para recursos próprios (quando os preços recebidos superam os preços pagos) e para mecanismos alternativos de financiamento. Incluídas certas operações a futuro na BM&F. Eles igualmente desfrutam do crédito direto bancado pelos fornecedores de insumos e máquinas. Com um acidente de percurso: empréstimos dolarizados, na maioria, trombaram este ano com a desvalorização de 40% do real. Mas os fornecedores toparam fechar as contas, na quase totalidade dos contratos, com dólar cotado abaixo de R$ 1,50.
E para a empreitada 1999/2000? Os fornecedores de máquinas, adubos, defensivos e demais insumos ainda não bolaram os respectivos planos de safra. Só quando agosto vier.


Secos & Molhados
E os pequenos?
- Com 80% dos recursos cacifados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) pretende liberar, este ano, R$ 3 bilhões. Para os pequenos produtores. Com juros de 6% ao ano, mais TJLP.
Quanto pesam?
- O módulo rural de arrimo familiar sustenta 19 milhões de patrícios. Entre outras façanhas, responde por 87% da produção da mandioca, 66% do algodão, 61% do milho e 38% do rebanho bovino. Com renda de até R$ 27 mil por ano.
Um Proer verde
- Agências do Banco do Brasil inauguraram ontem o Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop). Cerca de 300 delas devem R$ 3 bilhões. Serão refinanciados R$ 2,6 bilhões.
Pelo mundo
- A produção mundial de cereais deve recuar 1,3% este ano, nos cálculos da FAO. Com o detalhe: os preços de exportação de 1999 estão, em média, 24% abaixo das cotações de 1998.

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