Joelmir Beting
Quando a realidade muda, minha convicção também muda.
John Maynard Keynes (1883-1946), economista inglês.
Foto do disco voador
Dono da verdade, Alan Greenspan não mais esconde sua perplexidade acadêmica diante de certos indicadores da economia americana. A expansão continuada do produto (e do emprego), por toda
uma década, não consegue abrir a jaula da inflação de demanda.
Inflação zero no mês passado. Monetaristas enrustidos não têm
explicação para o fenômeno à luz da teoria econômica estabelecida.
Em discursos sucessivos, acompanhados nervosamente em todo o mundo, o presidente do banco central americano, o Fed, limita-se a classificar o ciclo longo de crescimento econômico com estabilidade monetária na categoria de bolha de prosperidade sem sustentação no tempo e no espaço. Chega mesmo a reprisar, em cada pronunciamento por escrito, que tudo não passa de um espasmo de irrational
exuberance do mercado de ações no fechamento da Década de Ouro do PIB de US$ 8,4 trilhões.
Eexuberance do mercado de ações no fechamento da Década de Ouro do PIB de US$ 8,4 trilhões. Exuberância, sem dúvida. Irracional, nem tanto. A economia americana simplesmente realiza a generosa colheita dos ganhos de produtividade - o disco voador da economia - de quase 20 anos de reestruturação produtiva a ferro e fogo. Modernização acelerada e aprofundada pela globalização e pela competição paroxística em todos os setores da sociedade culturalmente mais plugada no livre jogo das
forças do mercado.
Discursando esta semana no Congresso, Alan Greenspan admitiu, finalmente, a contribuição dos ganhos consistentes da produtividade para a estabilidade dos preços. E mais: a repartição desses ganhos entre investidores, fornecedores, distribuidores, trabalhadores e consumidores é que estaria concretando o longo surto de expansão sustentada do consumo, da produção e do emprego. Sem mistério: a modernização rebaixa custos e a competição estabiliza preços. Com sobra de gordura para lucros e salários.
Reflexão digna da escola neokeynesiana, que cuida de explicar a exuberância da economia americana pela abordagem do que Keynes chamaria hoje de progresso tecnológico endógeno e seus efeitos no crescimento econômico e na distribuição de renda. Com sobras para outra construção Keynesiana de porte, a que trata dos fatores
determinantes da taxa de juros.
Senhor da moeda e dos juros, Alan Greenspan bem que poderia levar hoje para a cama o livro de macroeconomia moderna Keynes e a Economia Contemporânea. Suculento repertório de ensaios (396 páginas) de acadêmicos brasileiros, lançado esta semana pela Editora Campus. Obra organizada por Gilberto Tadeu Lima, João Sicsú e Luiz Fernando de Paula, com prefácio de João Sayad.
Secos & Molhados
Concentração
- Pelo tamanho da coisa, a privatização do Banespa vai adensar o processo de concentração bancária no Brasil. Claro, se o banco paulista acabar absorvido por um dos dez maiores bancos já em operação no País.
Ativo total
- O sistema bancário brasileiro estoca ativos de R$ 683 bilhões. O Banco do Brasil, com R$ 126 bilhões, domina 18,5% do sistema. Secundado pela CEF, com 16,8%. Maior banco privado, com
R$ 82 bilhões, o Bradesco responde por 9%. O Itaú, 7,3%.
Novo ranking
- Se o Itaú, que já absorveu os estatais do Rio e de Minas, abocanhar o Banespa, ele ultrapassará o Bradesco no topo do ranking privado, com participação de 11%. O Itaú estoca R$ 49,7 bilhões. A fatia do Banespa, com R$ 25 bilhões, é de 3,7%.
E o Bradesco?
- Se o líder Bradesco engolir o Banespa, somará um ativo de 12,7% do sistema nacional. Ainda na poeira da Caixa
Econômica Federal.





