Joelmir Beting
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de maio de 1999
Bill Gates, o homem de US$ 101 bilhões 
Qual é o jogo?
Alguém já tentou cercar um frango doido em campo aberto? Pois essa é a façanha que o governo persegue com a usinagem de uma futura Lei de Comunicação Eletrônica de Massa. Assunto tratado ontem nesta coluna. Trata-se de um setor em estado de ebulição. Na avaliação de consultores do ramo, regulamentá-lo agora é tentar consolidar o que ainda não pode (nem deve) ser consolidado.
Parodiando Magalhães Pinto, que então se referia à atividade política: a comunicação eletrônica de massa, no moderno conceito de multimídia e de megamídia, parece nuvem em trânsito no céu. Você olha agora e ela está de um jeito. Você olha novamente daqui a um minuto e ela já estará diferente. Reescrever as novas regras do jogo no governo e no Congresso começa exatamente por uma pergunta ainda sem resposta: afinal, qual é o jogo? Futebol, basquete, tênis, peteca ou sinuca? Está mais para sinuca.
No Brasil e no mundo, o setor está sendo virado do avesso por uma dobradinha telúrica: explosão tecnológica e implosão mercadológica. A revolução das tecnologias da informação, já na Idade Digital, globalizou o alcance da multimídia, desmanchou monopólios estatais, desregulamentou reservas nacionais e submeteu os negócios do ramo ao paradigma do tripé
velocidade/conectividade/intangibilidade. São mudanças rápidas e profundas.
Para efeito de ordenamento jurídico do sistema, a dificuldade maior está no processo de conectividade tecnológica. Que pode ser assim resumido: 1) o televisor virou computador; 2) o computador virou telefone; 3) o telefone virou televisor. É cada vez menor a fronteira intangível que separa a radiodifusão da telecomunicação e esta da computação. Exemplo: o transporte da voz não vai passar de 2% da telecomunicação do ano 2001. Já se fala em telefonia gratuita...
O nome do jogo é sinuca, sim. A comunicação eletrônica de massa (rádio e televisão) é apenas um elo da Indústria da Informação no epicentro da Economia do Conhecimento, já em plena Idade Digital. Que tal? O meio virou mensagem. A mensagem virou meio. Nesta migração da indústria da comunicação para a tecnologia digital, já estamos nas fímbrias do banco digital, da escola digital, do hospital digital, da empresa digital, da residência digital. Ou do automóvel digital. Meio de condução ou meio de comunicação via satélite?
E o que dizer do espalhamento vertiginoso do e-mail, do e-comerce, do e-service, do e-management? O computador já deveria ter trocado de nome para conectador. Plugado na Internet, o televisor também já pode ser chamado de conectador. No Brasil e no mundo, quem regulamentar há-de?
Secos & Molhados
Concentração
- A revolução tecnológica desencadeia uma revolução mercadológica na Indústria da Informação. Fusões, incorporações e alianças estratégicas promovem estrepitosa concentração de empresas de telecomunicação, computação e multimídia.
Todos a bordo
- Gigantes da telefonia invadem os negócios da TV a cabo. E grupos de mídia fazem posição em empresas de telefonia. O pelotão da computação (de hard e de soft) cuida de colocar os pés nas duas canoas: multimídia e telecomunicação.
Banda larga
- Simulação da Forrester Research. Em 2005, a televisão será toda ela interativa. O público escolherá o programa e o respectivo horário. Com mais de 500 canais do mundo inteiro dando canja no mesmo receptor vestido de computador.
Come quieto
- A Internet de banda larga, também em 2005, estará abocanhando 20% do investimento publicitário global. Em 1998, nos Estados Unidos, essa mordida não passou de 1,5%.


