‘‘Ou a ciência promove a multiplicação bíblica dos alimentos ou não haverá comida barata para os 10 bilhões de bocas do ano 2030.’’
Norman Borlaug, agrônomo americano (Nobel da Paz de 1970)

Soja e café no palco
A soja transgênica e o café transgênico pedem passagem em Londrina, PR, agora em maio. Por enquanto, não na terra. E, sim, na pauta de dois encontros de centenas de pesquisadores, industriais e produtores. A partir de segunda-feira, nos quatro dias do 1º Congresso Brasileiro de Soja, promovido pela Embrapa. E na semana seguinte, de 24 a 28, no 3º Seminário Internacional de Biotecnologia na Agroindústria Cafeeira. Participação de 17 países.
No evento da soja, a chegada das sementes geneticamente modificadas, pelo corredor polonês de uma polêmica universal. Ela dividirá o interesse maior do temário com dois outros assuntos não menos charmosos: 1) o desenvolvimento de alimentos enriquecidos ou fortificados a partir de adições de derivados de soja; 2) o desenvolvimento da mistura carburante do óleo transceterificado de soja com o óleo diesel que aciona caminhões, ônibus, tratores e comerciais leves - o biodiesel.
No encontro do café, técnicos de 42 instituições de pesquisa do Brasil e do exterior repassarão temas do calibre do café transgênico, da clonagem de plantas, das sementes sintéticas, dos biopesticidas, dos novos subprodutos e do reaproveitamento de resíduos. Promoção do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e da Universidade Federal do Paraná. O pessoal do Iapar adianta que o café transgênico, já na linha de montagem do Instituto, ‘‘é coisa para 2010’’. O projeto já definiu um primeiro eixo: apurar variedades que tenham maturação uniforme dos grãos. Hoje, são estágios diversos de maturação na hora da colheita, forçando apanhas seletivas e repetitivas.
A soja transgênica, primeira do gênero, é uma tecnologia já dominada em produção comercial desinibida em cinco países: Estados Unidos, Canadá, México, Argentina e Austrália. Ela foi desenvolvida pela Monsanto americana a partir de 1975 e apresentada em 1983. Os testes de campo foram realizados a partir de 1987. O certificado de ‘‘non-regulated status’’ do USDA e as aprovações das agências reguladoras FDA e EPA (atestando a segurança alimentar, ambiental e agrícola da semente manipulada) são datados de 1994. A produção em escala comercial começou na primavera americana de 1996. Em apenas três anos/safra, ela saltou para 40% da produção de soja nos Estados Unidos. Em dois anos, para 55% na Argentina.
No Brasil, a mesma semente transgênica da Monsanto (rotulada de Soja Roundup Ready) ensaia sua primeira incursão comercial nesta próxima safra de verão no Centro-Sul - assunto ainda abrasivo nos meios científicos e governamentais. Ela já obteve o sinal verde da Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNbio) e tem o apoio de entidades do agronegócio da soja. Mas o plantio dela acaba de ser barrado no Rio Grande do Sul. O caso será discutido em Londrina.


Secos & Molhados
Desde Mendel
- O domínio da genética deita raiz com Gregor Mendel em meados do século passado. Mas a decolagem da engenharia genética, em escala industrial, tem só três décadas.
Em ondas
- A biotecnologia vegetal evolui em ondas. Na primeira, apuração de propriedades agronômicas. Na segunda, processamento avançado de alimentos. Na terceira, manipulação genética (os transgênicos). Na quarta, polímeros, plásticos, fármacos e combustíveis a partir dos vegetais manipulados.
No cardápio
- Em escala comercial, já se produz, nos Estados Unidos, transgênicos de cereais, verduras, legumes, frutas e tubérculos. Com ou sem rotulagem ou rastreabilidade.
Na televisão
- Amanhã, às 21h30, na Globonews, estarei ancorando debate sobre os transgênicos. Participação de Joaquim Machado (CTNbio), Abramides Duval (Monsanto) e Marijane Lisboa (Greenpeace).

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