Joelmir Beting
Camex, Apex, Secex, Funcex, Siscomex. O que não tem faltado é assessoria para a exportação. O que falta é exportar.
Wellington Garcez, consultor de comércio exterior
Não saímos da praia
Mercado interno e mercado externo não são excludentes ou alternativos. Eles são complementares ou aditivos. Parece que só a Cepal dos anos 60 não sabia disso. O aumento das vendas lá fora aumenta a escala de produção aqui dentro. Isso rebaixa custos e preços (além de melhorar produtos e serviços). O que, fechando a roda, amplia o mercado nacional, em benefício do consumidor brasileiro.
Quando se discursa sobre a competitividade internacional das empresas brasileiras está-se falando da busca de maior e melhor disponibilidade de mercadorias de exportação também para o mercado interno, preferência nacional. Não se trata de mero capricho dos empresários brasileiros para agradar consumidores estrangeiros. O maior beneficiário dos ganhos de competitividade global da economia verde-amarela é o próprio cidadão brasileiro.
Exportar é a salvação da pátria estremecida, apregoa Delfim Netto em cada esquina. Ele diz que nem mesmo o ajuste cambial (feito por linhas tortas) está conseguindo despertar o gigante adormecido: Nossa fatia no mercado global era de 1,5%. Agora, não passa de 0,8%. Entregamos 0,7% do mercado mundial para coreanos, chineses e mexicanos. Quantos empregos foram aqui destruídos por uma renúncia comercial dessa magnitude?
Para este ano, o Brasil ajustou com o FMI a conquista de um superávit comercial no grito - ao fim e ao cabo de quatro anos de balança comercial no vermelho. Com a correção cambial no tapa projetada para 35% na média do ano, a revisão da carta de intenção, em março, ousou projetar um superávit anual de US$ 11 bilhões.
Vai ficar na boa intenção, diz ainda Delfim Netto: Se a gente obtiver metade disso já será uma festa. O sistema oficial de promoção das exportações e a verdadeira carta de intenção que não passou e não vai passar da boa intenção. O presidente Fernando Henrique Cardoso deveria empenhar-se pessoalmente nessa matéria decisiva para a virada nacional. É preciso encarar as exportações em clima de economia de guerra!
Estamos longe disso, continua Delfim Netto: O governo trata o assunto entre dois bocejos de tédio. Certos burocratas planaltinos acham que esse negócio de exportação não passa de choradeira de lobistas ansiosos. Veja o que fizeram com a Camex, a Câmara de Comércio Exterior. Ela foi instalada no ano passado por um profissional competente, o economista José Roberto Mendonça de Barros. E vem sendo dirigida por outro profissional competente, o embaixador José Botafogo Gonçalves. Só que enfiaram a Camex no interior da Casa Civil da Presidência da República e deu no que está dando: um estranho no ninho, metido em camisa-de-força.
Secos & Molhados
Bom atalho
-Uma agenda positiva para as exportações brasileiras é o melhor atalho para a reativação da economia e do emprego, disse Delfim Netto, domingo à noite, na GloboNews.
Sem encalhe
-A doutrina cepalista dos anos 60 só admitia a exportação incentivada do setor industrial em casos transitórios de excedente ou encalhe. Essa cultura reducionista abomina a ampliação de capacidade para exportação em caráter permanente.
Elo perdido
-Num Brasil que ainda exporta confiscos, brigando com parceiros que exportam subsídios, a participação das pequenas empresas nas exportações totais não tem passado de 6%. Nada além de um terço da média mundial.
Escapismo
-O complexo de caramujo leva a maioria dos analistas (e dos burocratas) a identificar na reativação da economia um sinal verde para uma nova farra dos importados. Ora, nosso impasse não está em importar mais. E, sim, em exportar pouco, muito pouco.





