‘‘O comércio eletrônico resolve problemas antigos, criando problemas novos. Por exemplo: o da (in)segurança do cartão de crédito on- line.’’
Robert Burgelman, professor da Stanford Business School

Ferramenta de trabalho
Acabou a brincadeira. Vem aí a trabalheira. É assim que os consultores de informática encaram as mudanças que se operam, este ano, nos usos e nos abusos da Internet. O espalhamento do comércio eletrônico (e-commerce) na vertical das empresas e na horizontal dos mercados e o crescimento dos serviços em rede (e-services), liderados pelo correio elétrônico (e-mail), encerram a fase dos curiosos e instauram a fase dos profissionais. O micro troca o videogame pela ferramenta de trabalho.
Pesquisa da Starmedia, divulgada pela Gazeta Mercantil Latino-Americana, mostra que 29% dos internautas do Mercosul já testaram o comércio eletrônico da Web. E mais: 68% utilizam a rede para pesquisas de mercado antes das decisões de compra. E 83% desses usuários acessam anúncios de produtos e serviços paginados na Web.
O presidente da Starmedia, Fernando Espuelas, arrisca: ‘‘Em mais cinco anos, o Brasil já será o segundo maior mercado do mundo dentro da Internet, ficando atrás somente dos Estados Unidos. Onde o e-commerce estará movimentando 10% do PIB em 2003. Algo parecido, hoje, com US$ 800 bilhões por ano.’’ A Starmedia acaba de comprar os dois maiores sites brasileiros de busca, o Zeek e o Cadê?.
Na faixa do e-services, o grande salto do home-banking e do office-banking, dentro e fora da Internet. De carona, os bancos abrem o leque de cobranças e pagamentos em rede para governos, escolas, planos de saúde, seguros em geral, licenciamento de veículos e recolhimento de tributos. Levantamento da Febraban revela que o número de micros domésticos plugados no ‘‘home banking’’ disparou, em apenas quatro anos, até março último, de 50 mil para 2,5 milhões. No ‘‘office-banking’’, micros de escritórios convertidos em ‘‘agência digital’’ da rede bancária já passam de 750 mil.
Segundo Bill Gates, os bancos correm contra o relógio do dinheiro digital que se aproxima. Até aqui, a agência digital limita-se a enxugar a estrutura física dos bancos. Logo mais, o dinheiro digital estará questionando a existência virtual dos próprios bancos. Cada empresa e cada família ou indivíduo, com micro na mão, acabará se transformando em banco de si mesmo para transações financeiras e comerciais em geral. O banco só vai sobreviver como emprestador de dinhiero para grandes clientes. Os consumidores serão financiados diretamente pela loja da esquina. Claro, se a loja da esquina também não for deletada pelo e-commerce que já decolou.
Eis a atual estrutura de utilização da Internet no Brasil, segundo sondagem da Fenasoft: 1) consultas, 38%; 2) e-mail, 27%; 3) troca de dados, 18%; 4) home-banking, 5%; 5) e-commerce, 4%; 6) divulgação, 3%; 7) reunião virtual, 3%; 8) outros, 2%.


Secos & Molhados
Sob medida
- Já não se pode fazer terno sob medida. Mas já se faz micro sob medida. A Dell acaba de abrir sua primeira loja virtual ‘‘on-line’’ para o Brasil. A fábrica de Austin passa a montar computadores personalizados, por encomenda.
Ultrapassagem
- No mercado pirotécnico da telefonia celular, a finlandesa Nokia acaba de ultrapassar a americana Motorola. Ela já responde por 26% do mercado global, contra 22% da Motorola. Ou 16% da sueca Ericsson.
Toque de midas
- Em valor de mercado em bolsa, eis o Top Ten da Fortune em telecomputação (em US$ bilhões): 1) Microsoft, 418; 2) Intel, 197; 3) AT&T, 180; 4) Cisco, 167; 5) IBM, 166; 6) MCI, 161; 8) Lucent, 139; 9) Dell, 111; 10) BellSouth, 91.
O gato comeu
- Por cartão de crédito, comprei 14 CDs pela Amazon.com e até agora não vi a cor nem o som da encomenda. Já se passaram 44 dias e nada de e-commerce. O malote postal das diligências era mais rápido.

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