Joelmir Beting
Na agricultura brasileira, não são . São
Protecionismo não rima com globalismo. Ele está com os anos contados. Acaba na próxima década.
Ernest Seilliere, presidente do Movimento de Empresas da França
Erguer muros ou pontes?
PARIS - O desmanche cauteloso e progressivo do protecionismo comercial em escala planetária desponta, doravante, na agenda de três reuniões de cúpula (chefes de governo) marcadas para junho: a da União Européia (Colônia), a do G-7 (Colônia) e a da América Latina-União Européia (Rio de Janeiro). Espécie de apronto geral para a retomada da abrasiva matéria no fórum mais adequado: o da Organização Mundial de Comércio (OMC), em novembro, em Seattle, EUA.
O protecionismo comercial, de ranço medieval, não faz distinção de países ricos, pobres e remediados. Nem de blocos de nações. O Japão superpotência é um mercado mais fechado que o do Brasil cor de anil. A proteção tarifária intermodal é da ordem de 13% no Brasil, contra 17% lá. A Européia contenta-se com 7% e a americana não passa de 4%.
Mercado mais aberto do mundo, certo?
Aberto, pero no mucho. Para determinados produtos (e serviços), europeus e americanos levantam barreiras graníticas de natureza tributária, alfandegária, sanitária... Não importa a origem do produto.
A ordem é proteger o produtor nacional contra a farra dos importados realmente competitivos. E não apenas em casos flagrados de dumping ou de práticas desleais de comércio exterior. O protecionismo barra igualmente o desembarque de produtos que se tornaram competitivos a golpes de esforço e talento dos respectivos produtores.
Caso escandaloso do suco concentrado de laranja made in Brazil. Ele custa metade do similar americano da Flórida e, por causa desse pecado, é punido por uma sobretaxa de 55% no desembarque em portos do Tio Sam.
Aqui na Europa, onde americanos e europeus acabam de se engalfinhar na chamada guerra das bananas (de terceiros) nada menos de 47 produtos brasileiros estão devidamente sobretaxados.
Eis que americanos e europeus acionam a OMC para uma conferência sobre protecionismo, já rotulada de Rodada do Milênio. O encontro global, de 178 países, dará carona à regulação do comércio eletrônico de bens e de dados, à disciplina dos mercados de produtos ambientais (e transgênicos), ao acordo global para as tecnologias da informação (Information Technology Agreement) e ao acordo também global sobre compras governamentais.
Assunto é o que não falta. O que falta é vontade. Ou coragem. Ou como diz o sociólogo francês Alain Touraine: Já não é mais a escassez de recursos que limita as decisões. Agora, é a timidez das decisões que atrofia os recursos.
Para baixo
- Com o comércio batendo pinos, o ajuste do balanço de pagamentos dos países emergentes chocados se faz por redução das importações e não por aumento das exportações. Ninguém ganha com isso, suspira Rubens Ricúpero, secretário-geral da Unctad.
De plantão
- Rubens Ricúpero acaba de ganhar mais quatro anos no comando da Unctad, organização da ONU para assuntos de comércio e desenvolvimento. É onde estão sendo produzidos os melhores estudos sobre os impactos da globalização.
No carnaval
- Diplomata de carreira, o brasileiro Rubens Ricúpero faz hora extra na montagem da Conferência Ministerial da Unctad, marcada para fevereiro de 2000, em Bangcoc, na Tailândia. Na pauta, globalização econômica com desarticulação financeira.
No refluxo
- Com a revalorização do real, volta-se a falar português em hotéis, bares e lojas de Paris.





