‘‘A vulnerabilidade das nações está menos no desequilíbrio fiscal dos governos e mais na estagnação interna de mercados e empregos.’’
James Tobin, Prêmio Nobel de Economia


Pacto do emprego
Paris - A Comissão Européia, que funciona como Poder Executivo da Grande Nação Europa, articula o lançamento do Pacto Europeu do Emprego. De resto, promessa de palanque dos governos de centro- esquerda que se instalaram recentemente na Inglaterra, França, Alemanha e Itália, os quatro grandes da União Européia dos 15.
A costura do pacto, terceira tentativa em 12 anos, foi confirmada pelo presidente interino da Comissão Européia, o ex- primeiro-ministro italiano Romando Prodi. Que tascou o grifo: ‘‘Governos capazes de usinar a moeda única não podem fraudar um pacto europeu pela garantia e expansão do emprego, prioridade social número um da União Européia.’’ O pacto será lançado, em junho, na reunião de cúpula marcada para Colônia, na Alemanha.
Nesta última década do século, o desemprego nos 15 países do mercado integrado não arreda pé da média anual de dois dígitos. A taxa de desocupação é assimétrica até mesmo no cotejo de países do mesmo estágio econômico e social. Ela trafega entre 11% e 12% na Alemanha, Itália e França, alcança 18% na Espanha e não passa de 6% na Inglaterra. E o que dizer da Holanda, apêndice econômico da Alemanha, com desemprego de apenas 4%?
Analistas franceses costumam descarregar a culpa pelo desemprego endêmico de 27 milhões de europeus na globalização, na competição, na modernização, na migração. Como se o desemprego europeu fosse invenção dos anos 90. Ora, como explicar, do alto dessa análise escapista, o desemprego de apenas 4% na Holanda ou de 4,2% nos Estados Unidos? Os americanos foram mais impactados que os europeus no ‘‘front’’ da globalização, da competição, da modernização e da migração.
A diferença está em algo mais que a prosperidade americana de quase uma década. E vai além do dinamismo pirotécnico da economia de serviços made in USA. A diferença está na propensão ao consumo do ‘‘the american way of life’’ e na flexibilização dos diplomas trabalhistas. A Holanda, no coração da União Européia, que o diga. Em 1995, o governo e os sindicatos aprovaram o regime do contrato temporário de trabalho. Em três anos, o desemprego despencou de 10,2% para exatos 4% em março último.
Romando Prodi não antecipou o formato nem o conteúdo do futuro Pacto Europeu do Emprego. Sabe-se, entretanto, que haverá medidas ousadas no campo minado da legislação trabalhista, a mais generosa e ‘‘imexível’’ do mundo.




Secos & Molhados


Petrificado
- O desafio maior é o da Alemanha, dona do contrato de trabalho mais pesado da Europa e do mundo. A tal ponto, que o salário médio do setor indústria, em euro, é exatamente o dobro do italiano e 55% maior que o francês.
No desgate
- Há quem veja na costura do Pacto Europeu do emprego - provavelmente um cardápio de metas sem a garantia de meios - um mero golpe de ‘‘public relations’’ da Comissão Européia. Ainda hoje no contrapé de um vexame político: a renúncia em bloco de todos os seus 20 membros, sob suspeita de corrupção.
Muita faxina
- A efetivação de Romano Prodi na presidência da Comissão Européia (e a escolha dos novos integrantes) ocorrerá só em junho, com o aval do Parlamento Europeu. A comissão conta com orçamento anual de US$ 92 bilhões. Ou melhor: 85 bilhões de euros. Prodi terá de botar a casa em ordem e resgatar o respeito público da Comissão Européia.

mockup