Joelmir Beting
Renata realizou estágios em agências de médio e grande porte e ficou na promessa de um chamado que nunca houve. Ela não pretende abrir mão dessa carreira.
Da publicação do anúncio, há exatamente um mês, ela obteve o retorno de dezenas de contatos e consultas, além de uma baciada de manifestações de solidariedade. Ela se dispôs a pagar por um primeiro emprego a quantia simbólica de R$ 1,00 por mês. Ela sabe que já se paga para trabalhar neste país. Quem pensa que trabalha de graça ou em troca de um salário mínimo está gastando o dobro disso em comida, transporte e vestuário.
O objetivo de Renata Erlichman é de alcance político: dramatizar o drama social do desemprego de milhões de patrícios. Incluído o medo de perder o emprego que hoje mortifica o sono de pelo menos um em cada três trabalhadores ainda no batente. Segundo ela, o trabalho decente deveria fazer parte da cesta básica dos direitos humanos. Não poder trabalhar é um purgatório estritamente humano e não um mero soluço do processo econômico.
Pois o IBGE avisa que o índice de desemprego cravou 7,7% em janeiro e deve ter ficado acima disso em fevereiro, tempo de choque cambial. Em São Paulo, também em janeiro, o mesmo IBGE apurou o índice recorde de 9,2%. A bordo de uma metodologia mais abrangente, o Dieese registrou quase o dobro disso na Grande São Paulo (17,8%). Exclusão de quase um quinto da força de trabalho disponível. Em certas profissões, a exclusão passa de um terço ou até mesmo da metade dos profissionais habilitados. Caso do jornalismo e da publicidade, mercados de trabalho já completamente saturados.
Pelo cheiro da brilhantina, o desemprego patrulhado pelo IBGE deve emplacar o índice de dois dígitos ainda neste primeiro semestre. O monetarismo criogênico e o confiscalismo pusilânime continuam informando a recessão econômica made in Brasília. Crise fiscal? Mais juros e mais impostos. Crise cambial? Mais impostos e mais juros.
Inflação em queda, perto de zero? Mais juros e mais impostos. Inflação em alta, perto da reindexação? Mais impostos e mais juros...
Se a Economia fosse Engenharia, não haveria pontes e prédios em pé em Brasília. O primeiro escombro seria o do Palácio do Planalto.
Secos & Molhados
Só veneno





