Joelmir Beting
Para o capital produtivo das empresas globais, o Brasil ostenta a taça de mercado mais atraente em todo o mundo, fora os Estados Unidos. A fuga do capital volátil, em setembro, não abalou o prestígio do Brasil. Bem ao contrário. Na bola azul da vez, ultrapassamos a China na preferência dos principais executivos das empresas transnacionais para a alocação de investimentos futuros. Palavra da A. T. Kearney, empresa de consultoria de gestão, em pequisa realizada em setembro e outubro e divulgada no fim de semana em Londres.
A pesquisa é semestral e cobre as 150 maiores empresas do mundo. O índice de confiança nos países emergentes, em bloco, vem caindo desde a crise da Ásia, em outubro do ano passado. E registra novo recuo nesta última sondagem, ainda no sobressalto global da moratória da Rússia. Até por exclusão, o Brasil melhorou de posição de lá para cá no ranking da A. T. Kearney. Rússia e Indonésia foram banidas do grupo dos 25 mercados mais cortejados.
Na Europa, a Grã-Bretanha continua na liderança, ocupando a quarta posição do mundo (na fieira do trio Estados Unidos, Brasil e China). Os ingleses fizeram a lição de casa antes do restante da União Européia, explica Paul Laudicina, vice-presidente da A. T. Kearney. Eis, pela ordem, os 20 países de maior atrativo para o capital produtivo das 150 maiores empresas globais. 1) Estados Unidos; 2) Brasil; 3) China; 4) Grã-Bretanha; 5) Alemanha; 6) Polônia; 7) Índia; 8) México; 9) Espanha; 10) França; 11) Itália; 12) Argentina; 13) Holanda; 14) Austrália; 15) Tailândia; 16) Coréia do Sul; 17) Canadá; 18) República Checa; 19) Japão; 20) Hungria.
Na pesquisa, os países são classificados pela ponderação de 11 critérios de escolha. Por ordem de preferência dos executivos das empresas globais: 1) tamanho do mercado atual e futuro; 2) estabilidade política; 3) taxa de crescimento econômico; 4) legislação ambiental; 5) liberdade de repatriação de lucros; 6) estabilidade macroeconômica; 7) segurança jurídica dos contratos; 8) extensão e qualidade da infra-estrutura econômica; 9) extensão e qualidade dos serviços sociais; 10) cultura de qualidade e competitividade; 11) custo e qualidade da força nacional de trabalho.
Neste ano, segundo os analistas da A. T. Kearney, cresceu na ponderação dos 11 maiores atrativos a dobradinha estabilidade política e estabilidade econômica. Por que o Brasil em segundo? O comunicado da A. T. Kearney justifica: A atratividade do Brasil estende-se por todos os setores, começando pelo sistema financeiro. A evolução do programa de reformas, as privatizações, a consolidação da estabilidade monetária, o amadurecimento do regime político, o advento do Mercosul e o tamanho do mercado potencial fazem do Brasil o segundo melhor endereço para as empresas globais, com índice 1,38, abaixo apenas dos Estados Unidos, com índice 1,64.
Secos & Molhados
Na virada
-A pesquisa da A. T. Kearney (www.atkearney.com) joga com a intenção de investimentos globais para o triênio 1999/2000. As empresas transnacionais não temem uma recessão universal.
Maior salto
-Em capital produtivo, o Brasil recepciona nada menos de US$ 20 bilhões por ano no triênio 1997/1999. Antes do Plano Real, a média anual mal passava de US$ 1 bilhão.
Sem crise
-E a crise global? E o ajuste fiscal? As empresas transnacionais, que se permitem o luxo do planejamento estratégico, estão plugadas menos no Brasil 2001 e mais no Brasil 2010.
Das regras
-As empresas globais exigem do mercado receptor algo mais que a estabilidade dos custos e dos preços. Elas não abrem mão da estabilidade das regras, vulgo segurança jurídica dos contratos. No Brasil do Real, tem sido menos complicado estabilizar os preços do que as regras.





