Joelmir Beting
Uma grande empresa, de classe mundial, obriga-se a investir até US$ 1 milhão para abrir um novo lugar de trabalho dentro dela. Uma pequena empresa, que pode até mesmo ser fornecedora da grande, contenta-se com investimento de US$ 10 mil para gerar um novo emprego. Basta esse comparativo pelos extremos para justificar o tema central do 25th International Small Business Congress, instalado ontem em São Paulo. O tema: Emprego, o Grande Desafio - Pequena Empresa, a Grande Solução.
Realizado pela primeira vez na América Latina, o evento reúne delegações de 42 países. A organização é da Associação Comercial de São Paulo e do Sebrae, com o apoio de entidades empresariais e acadêmicas do Brasil e do Exterior. Faltou a ajuda do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que se concentra na organização da Conferência Internacional de Desenvolvimento Empresarial da Pequena Empresa, marcada para março, no Rio de Janeiro.
Que o futuro do mercado de trabalho está na faixa das pequenas empresas não é novidade. Elas já respondem por mais de dois terços da ocupação de mão-de-obra em todo o mundo. O que o encontro de São Paulo procura discutir é a promoção de novos instrumentos de política econômica para melhorar o desempenho das pequenas empresas. Afinal, as grandes não poderão sobreviver sem elas. Quanto mais globalizada a economia, mais indispensável se torna a parceria das grandes com as pequenas, segundo a teoria dos paradoxos globais de John Naisbitt.
Na rodada de ontem, a globalização foi discutida exatamente sob o prisma do (des)emprego. A competição sem fronteira acelera os processos de modernização das empresas de todos os níveis em todos os ramos. Esse movimento telúrico promove, por linhas tortas, como nunca antes, a valorização do capital humano dentro do universo empresarial. Com sobras para a redescoberta da importância econômica do sistema educacional.
Entre os novos instrumentos de política econômica para as pequenas empresas, destaque para a experiência do chamado Banco do Povo. São organizações de microcrédito para microempresa, com sobras para autônomos (self-employment). Técnicos do Grameen Bank, de Bangladesh, o maior banco do povo do mundo, participam do encontro. O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Elvio Aliprandi, lembra que o Grameen Bank faz empréstimos de US$ 100 e, mesmo assim, já acumula aplicações de US$ 2, 4 bilhões.
O fundo de aval de Taiwan e os regimes de garantia de microcrédito da Espanha e do Egito são outras atrações do Congresso. Destaque para o modelo de promoção de exportações de pequenas empresas da Itália. Disparado, o melhor do mundo.
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