uando se dará o colapso da casa real dos sauditas? Ainda nesta década, sustenta o autor do livro. Com quem ficará o trono? Com alguma facção palaciana do próprio clã monárquico? Não. Tudo indica, segundo Aburish, que o poder acabará assaltado por uma força tão poderosa e tão subterrânea quanto o petróleo: o movimento organizado (de fora para dentro) dos fundamentalistas islâmicos. No justo figurino da desintegração da dinastia milenar de Reza Pahlevi, no Irã.
O atestado de óbito do regime saudita é o mesmo: a ditadura monárquica encharcada de petrodólares deixou-se envenenar pela incompetência, pelo desperdício e pela corrupção. A riqueza sacada do petróleo supostamente inesgotável não baixou da casa real para a população. E, dentro da casa real, desfez-se pelo caminho como castelo de areia levado pela tempestade no deserto.
O livro documenta a derrocada das finanças do reino. As reservas monetárias da Arábia Saudita despencaram para menos de US$ 30 bilhões em 1995, contra mais de US$ 130 bilhões em 1981. A dívida interna saltou para US$ 112 bilhões e a renda per capita refluiu de US$ 17 mil para US$ 6 mil.
Culpa da queda dos preços do petróleo? Culpa da corrupção que assola a Casa de Saud. Com mais de 6 mil príncipes da gastança torrando bilhões de dólares desde o primeiro toque de Midas nos anos 70. Obras faraônicas, superfaturadas, funcionaram como motor de ignição da decadência física e moral do reino. O colapso político deve ocorrer dentro das próximas 1.001 noites.


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