João Paulo II aceitou o convite do presidente cubano de visitar Cuba em 1997, depois do encontro de ontem no Vaticano com Fidel Castro, abrindo uma nova página na história das relações entre a Igreja e o regime castrista. ‘‘O presidente Castro renovou seu convite ao Papa de visitar Cuba ano que vem e ele aceitou’’, resumiu simplesmente o porta-voz da Santa Sé Joaquim Navarro Valls, ao final da audiência.
Não foi fixada nenhuma data, mas o porta-voz explicou que a vista prevista do papa ao Brasil, em outubro de 1997 poderia ser ‘‘uma boa oportunidade’’. A viagem de João Paulo II à América Latina poderá englobar também uma passagem por Honduras.
A visita terá o mérito de relançar a vida católica na ilha, em constante renovação nos últimos anos após quase 30 anos de repressão.
A normalização das condições de vida da Igreja em Cuba - que conta com 200 padres para uma população de onze milhões de habitantes, segundo o Vaticano - e o papel dos fiéis em Cuba foram abordados durante o ‘‘tête-à-tête’’ para o qual foi escolhido o idioma espanhol, segundo o porta-voz.
A Santa Sé sempre se pronunciou contra o embargo, por considerar que medidas desse tipo punem mais a população do que os governos visados. O Papa também fez alusão ao caso no forte discurso que pronunciou na abertura da reunião de cúpula mundial da alimentação organizado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).
Estas questões, principalmente sobre a atividade missionária em Cuba, foram em seguida aprofundadas durante o encontro entre o chefe de Estado cubano, seu ministro das Relações Exteriores, Roberto Robaina Gonzalez, o cardeal secretário de Estado Angelo Sodano e o Ministro das Relações Exteriores do Papa, Monsenhor Jean-Louis Tauran, que visitou Fidel Castro dia 29 de outubro passado em Havana.
Fidel Castro chegou ao Vaticano usando um terno escuro e gravata azul claro de ‘‘pois’’ brancos. João Paulo II o recebeu na porta de sua biblioteca particular com um aperto de mãos.
O clima era de cordialidade. Fidel Castro, 70 anos, caminhava bem ereto. O Papa, de 76 anos, andava com alguma dificuldade.
Ao final do encontro, seguiu-se uma troca de presentes num ambiente que se tornou mais e mais caloroso. Fidel Castro ofereceu uma concha engastada num suporte de ouro e prata e recebeu medalhas de ouro, prata e cobre sobre o pontificado de João Paulo II.

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