Duas das mais importantes figuras do século 20, o papa João Paulo Segundo e Fidel Castro, devem se reunir pela primeira vez hoje num encontro que quase com certeza irá definir uma viagem papal à comunista Cuba.
Será a mais destacada audiência papal desde 1º de dezembro de 1989, quando o papa polonês recebeu o então presidente soviético Mikhail Gorbachev, no momento em que a Cortina de Ferro começava a se desintegrar.
Ironicamente, exatamente 24 horas antes do encontro marcado com Fidel, o papa se reuniu pela quarta vez com Gorbachev, cujas reformas estruturais de ‘‘perestroika’’ precipitaram um efeito dominó que levou ao fim do comunismo na Europa Oriental.
‘‘Sua Santidade, lembro de nosso primeiro encontro aqui que levou ao início de tantas mudanças tanto dentro quanto fora da União Soviética’’, disse Gorbachev, segundo um porta-voz.
As restrições atualmente à Igreja católica em Cuba são semelhantes, se não idênticas, àquelas em vigor na União Soviética e em partes do leste europeu até a queda do Muro de Berlim.
Às 11 horas da manhã (horário local) de hoje, Fidel, um dos poucos remanescentes líderes marxistas do mundo, entrará no estúdio particular repleto de afrescos de um papa cuja cruzada pessoal encorajou os povos da Europa Oriental a se livrarem do comunismo.
Nada em sua vida preparou Fidel, que foi educado por jesuítas antes de se tornar ateu, para o esplendor dos palácios do Vaticano. Nada exceto, talvez, o Kremlin, onde Fidel foi um visitante regular até que Moscou cancelou sua usual ajuda à Cuba.
Fidel deve defender as conquistas sociais de seu regime, como no campo da educação e saúde, numa ilha onde 42% da população ainda é católica.
Fontes do Vaticano disseram que o papa irá pedir a Fidel para promover reformas políticas democráticas. O pontífice também deve pedir a Fidel para permitir que a Igreja católica em Cuba goze de mais liberdade educacional e religiosa e tenha mais acesso à mídia, acrescentaram as fontes.
Fidel, respondendo a perguntas de repórteres no domingo no encerramento da Cúpula da Alimentação, sugeriu que o papa poderia ir à Cuba quando desejasse. Ele disse que o papa tem viajado todas as épocas do ano, e que qualquer estação seria boa para uma viagem à ilha.
Alguns intelectuais italianos têm pedido ao papa para se distanciar de Fidel a fim de chamar atenção para o que eles classificam de abusos dos direitos humanos.

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