São Paulo - O presidente chinês, Hu Jintao, chega hoje ao Brasil com uma reivindicação - quer que o País reconheça a China como uma economia de mercado. Os chineses esperam que o Brasil funcione como líder da região, levando outros países da América do Sul a dar esse reconhecimento para o país. Para a China, é importante obter esse status para que o país seja tratado como as outras nações, não comunistas, nas negociações multilaterais de comércio. Com isso, os chineses ficam menos sujeitos a ações antidumping no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC).
Mas o Brasil pretende barganhar alto pelo reconhecimento. Regras para a soja, abertura do mercado chinês para carne bovina, suína e de frango, investimentos chineses em infra-estrutura, defesa da propriedade intelectual de empresas brasileiras atuando na China e venda de etanol - essas são as principais demandas do governo brasileiro. ''Temos que aproveitar essa oportunidade para negociar todos os interesses do Brasil, não só agrícolas'', diz Renato Amorim, secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China.
A expectativa é que Jintao assine, em Brasília, os acordos que abrem o mercado chinês para a importação de carne bovina, suína processada, frango e suco de laranja do Brasil. A abertura do mercado de carnes será interpretado como um enorme gesto de boa vontade do governo chinês. ''Esse acordo é o mais esperado pelos empresários brasileiros; o Brasil vem tentando há anos exportar carne para a China'', diz Paul Liu, presidente da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico.
Há obstáculos para o Brasil conceder à China o status de economia de mercado. O reconhecimento exigiria que o País realizasse uma completa revisão das barreiras antidumping que aplica contra os chineses. O Brasil é um dos dez países que mais aplicam barreiras contra a China e, pelas regras internacionais, ao não reconhecer Pequim como uma economia de mercado, o Brasil tem a autorização de colocar barreiras a produtos usando seus próprios cálculos de preço. A indústria brasileira, certamente, deve resistir à esse reconhecimento.
Mesmo assim, o governo espera fechar alguns acordos na missão de Jintao. Um deles é para que as empresas dos dois países possam investir e comercializar no setor siderúrgico e do etanol. A China começou a implementar o etanol no país, para reduzir sua dependência em relação ao petróleo. O etanol, nesses casos, é feito a partir do milho, mas a esperança dos chineses é que nos próximos anos o etanol brasileiro sirva como substituto.
Em relação à infra-estrutura, os chineses chegaram a anunciar, no início do ano, investimentos de mais de US$ 5 bilhões no País. Ainda não saíram do papel. Mas os chineses vêm anunciando reiteradamente seu interesse em investir em armazéns, ferrovias, portos, rodovias, para assegurar o abastecimento de matérias-primas brasileiras para a China. Mesmo assim, segundo analistas, os chineses ainda esperam a aprovação da Parceira Público-Privada (PPP) para concretizar seus projetos.

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