J. Pedro A Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) está estudando a implantação de um Tecnocentro, com o apoio da Jetro (Japan External Trade Organization). Tecnocentro é o mais novo conceito de condomínio industrial que os japoneses criaram e começaram a exportar. A China foi a primeira a adotar o sistema. A Jetro é um braço do governo japonês, um escritório de apoio a negócios externos.
O incentivo à implantação do Tecnocentro em Londrina foi anunciado ontem pelo presidente da Jetro no Brasil, Saburo Yuzawa (foto), que visitou a Redação da Folha com o diretor-executivo do Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina (PDI), Kentaro Takahara.
O modelo que a China Continental importou do Japão e que, segundo Yuzawa, começa a ter ‘‘excelentes’’ resultados, consiste em instalar no mesmo espaço físico um conjunto de pequenas e médias empresas voltadas unicamente para a produção. Contabilidade, serviços de limpeza, segurança, fornecimento de água, luz, portaria - tudo fica a cargo de uma diretoria administrativa.
‘‘É um sistema que permite ao empresário pensar exclusivamente na produção’’, explicou o presidente da Jetro, há dois anos no Brasil. O escritório fica em São Paulo. Para ele, o mais importante - não só na região de Londrina - é apoiar a instalação de fabricantes para obter produtos com qualidade e competitividade no mercado externo. O Japão seria o primeiro a comprar esses produtos - adiantou.
‘‘Com um Tecnocentro, Londrina pode atrair investimentos japoneses; temos 32 escritórios no Japão para divulgar empresas e produtos do exterior’’, afirmou Yuzawa. A Jetro seria a ponte entre o fabricante de Londrina e o comprador do Japão.
Yuzawa falou ainda que é importante atrair os investimentos dos dekasseguis. ‘‘Lá eles aprendem a tecnologia, e comprando máquinas de segunda mão, podem produzir muito bem em Londrina, com qualidade’’. Dos cerca de 200 mil brasileiros que vivem no Japão, calcula-se que 25 mil são paranaenses. Investidores em potencial, portanto.
‘‘Tem que haver cooperação industrial entre países para melhorar a qualidade dos produtos’’, destacou, mais uma vez, Saburo Yuzawa. A qualidade que ele vê no Brasil ainda não está em nível de exportação. Pelo menos para o Japão. ‘‘Achamos mais difícil importar do que exportar’’, comentou, dando a entender que não é em qualquer lugar do mundo que os japoneses encontram o que querem comprar. A necessidade que eles têm de importar, abre, porém, boas perspectivas para o Brasil.

mockup