Jaques Wagner defende fortalecimento de salários
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quarta-feira, 26 de maio de 2004
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - O secretário-especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Jaques Wagner, defende o fortalecimento da massa salarial no Brasil e, portanto, do poder de compra da população como um fator que possa ajudar o País a atrair investimentos que gerariam novos empregos. Wagner, que está em Genebra para reuniões na Organização Internacional do Trabalho (OIT), admite ainda que a geração de empregos no País ''é insuficiente diante das taxas de desemprego'', mas avalia que os primeiros quatro meses do ano foram ''excelentes''.
Sobre o novo valor do salário mínimo, o secretário reconhece que ''ainda não é o desejado, mas o possível por enquanto''. Wagner, que já foi ministro do Trabalho no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, insiste que a taxa de juros é apenas ''uma das variáveis'' para explicar a falta de investimentos do setor privado e que o Palácio do Planalto está ''trabalhando duro para reduzí-la''. Para ele, um dos fatores que ajudaria o País a receber investimentos seria o fortalecimento do mercado interno, já que o marco regulatório adotado já seria suficiente para dar garantias aos investidores internacionais em relação ao Brasil.
Na avaliação do secretário, o plano do governo é o de envolver os empresários no desenvolvimento de uma agenda social. ''Estamos trabalhando junto com a Casa Civil e a idéia é a de ter um planejamento que não venha apenas dos gabinetes, mas que envolva também os empresários'', afirmou. Na agenda social do governo, três datas marcariam as iniciativas e metas por parte do País. A primeira delas seria 2007, quando o Plano Plurianual seria concluído. A segunda data seria 2015, ano estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como prazo para que os países reduzam a pobreza e a desigualdade social. A data final, então, seria 2022, marcando 200 anos de independência do Brasil.
Da parte do governo, Wagner reconhece que algumas ações terão de ser tomadas. Uma delas é debater o futuro das legislações trabalhistas. Outra medida, que já está em estudo no Ministério da Fazenda, seria criar novas regras para microempreendedores. Segundo o secretário, a equipe do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, já está estudando uma regulamentação que poderia desonerar o custo de formalização desses microempreendedores. ''Acredito que em junho já vamos ter algo nesse sentido'', completa, sem dar detalhes do que poderia ser proposto.


