Japoneses formalizam proposta sobre TV digital até amanhã
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segunda-feira, 19 de junho de 2006
Patrícia Zimmermann<br> Folhapress 
Brasília - O governo brasileiro espera fechar com os japoneses até amanhã uma proposta formal para a implantação da TV digital brasileira utilizando o sistema ISDB. ''Eles vão fazer uma proposta oficial, se ela agradar, vamos levar ao presidente da República'', disse um técnico que participa da etapa final de negociações com os japoneses.
Um grupo de representantes do governo e da indústria japonesa iniciou ontem uma série de reuniões com técnicos brasileiros no Palácio do Itamaraty. A programação do governo brasileiro com os japoneses prevê a visita na próxima semana do ministro do Interior e Comunicações do Japão, Heizo Takenaka, quando deverá ser anunciada oficialmente a opção brasileira pelo sistema japonês de TV digital, se a conversa nesta semana for bem sucedida.
Apesar do clima de cordialidade dos japoneses, a negociação dos compromissos formais com o Brasil promete ser dura. ''Acho que podemos ir mais longe'', avaliou um técnico do governo, que ainda pretende obter dos japoneses avanços nas contrapartidas para a escolha do padrão ISDB.
O governo quer garantias de que a definição da tecnologia que será adotada na TV digital brasileira contribuirá para agregar valor à indústria de microeletrônica nacional. ''Queremos criar um ecossistema, uma cadeia de valor. O Brasil está destituído desse ambiente'', disse outro técnico.
Na conversa com os japoneses o governo não abre mão de dois compromissos considerados fundamentais: a incorporação das inovações tecnológicas produzidas no Brasil, como o MPEG-4, o middleware (sistema operacional) entre outros, ao sistema que será adotado no país e para exportação, além de investimentos na área de semicondutores, que deverão ser iniciados com a instalação de três centros de desenvolvimento tecnológico no país.
''Não abrimos mão, só vamos assinar o que contemplar nossos interesses'', afirmou um dos negociadores, referindo-se ainda ao necessário intercâmbio e formação de recursos humanos na área de pesquisa e desenvolvimento.
Cerca de cinco ou seis indústrias japonesas estariam participando das conversas com o governo brasileiro, mas não há ainda uma proposta formal sobre a instalação de fábrica no país nem valores definidos a esse respeito.
Sobre as chances dos demais sistemas que também foram avaliados pelo governo brasileiro - o americano (ATSC) e o europeu (DVB)-, os técnicos evitaram descartá-los, mesmo diante dos indícios de que a escolha já foi feita. ''Os japoneses estão mais adiantados'', resumiu um deles.


