Japoneses estão de olho no Paraná
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
O complicado cenário econômico internacional e o terremoto de março fizeram com que empresários japoneses, que já planejavam se instalar no Brasil, agilizassem seus investimentos. E eles estão de olho no Paraná, sustenta a Câmara do Comércio e Indústria Brasil Japão do Estado. Representantes de pelo menos sete indústrias já se reuniram com autoridades paranaenses desde o início do ano e pensam em investir no Estado.
A Região Metropolitana de Curitiba, mais uma vez, deve ser a maior beneficiada com os investimentos que virão da Ásia. Mas Ponta Grossa e Apucarana também estão nos planos dos nipônicos. ''O Paraná está se tornando um polo de investimento japonês'', afirma o diretor Financeiro e de Marketing da Câmara, Herberthy Daijó.
Nesta semana, diretores da NSK, indústria do setor automotivo que já tem sede em Suzano (SP), se reuniram com o governador em exercício, Flávio Arns (PSDB), e com o prefeito de Apucarana, João Carlos de Oliveira (PMDB). A ideia é implantar uma nova fábrica que deve gerar 300 empregos diretos. Mas a empresa estuda também outros municípios fora do Paraná.
Além da NSK, somente a Hamaya, que recicla eletroeletrônicos, teria interesse pelo Norte do Estado. Mesmo assim, para instalar duas filiais até 2013, já que a matriz da fábrica está se implantando em Fazenda Rio Grande, na Grande Curitiba. Londrina e Maringá são candidatas a receber as filiais.
''A preferência dos japoneses têm sido pela RMC e por Ponta Grossa'', admite Daijó. Mas, segundo ele, o Norte também tem chances de atrair os japoneses. ''Além da boa infraestrutura, a proximidade com o Sudeste, que é o maior mercado consumidor, conta pontos para a região'', acredita.
Mas, para isso, as prefeituras têm de ter um plano de industrialização bem definido e compreender como funciona ''a cabeça'' do investidor japonês. Na opinião do diretor, o município também precisa oferecer as seguintes características, pela ordem de importância: boa infraestrutura, terreno disponível e compatível com o investimento e mão de obra qualificada. ''Somente depois disso é que contam os incentivos fiscais'', alega.
Daijó afirma também que, quando procuram uma cidade para investir, os japoneses já definiram o que querem. Foi assim no caso da NSK, que buscava uma cidade de porte médio para pequeno, perto de um centro maior. ''Por isso, sugerimos Apucarana, bem próximo de Londrina e Maringá.''
Segundo o diretor, além do cenário internacional, há outro fator que vem estimulando a vinda de investimentos japoneses para o Brasil. O governo Beto Richa (PSDB), que teve início em janeiro deste ano, está empenhado na atração de capital estrangeiro. ''Podemos dizer que as políticas do governo anterior (Roberto Requião) eram menos favoráveis ao nosso trabalho de mediação.''
Ele admite, no entanto, que divulgar o Estado não é muito fácil. ''Muitos empresários japoneses não sabem que o Paraná existe. A concorrência com São Paulo é desleal'', alega.
Daijó conta que o presidente da Câmara, Yoshiaki Oshiro, propôs ao empresário londrinense Atsushi Yoshii, da Construtora A.Yoshii, a implementação de um escritório regional da entidade em Londrina, a exemplo do que ocorreu em Maringá. ''Com a instituição de uma superintendência regional, a entidade maximiza suas forças em prol da atração e investimentos japoneses na região'', explica.


