Curitiba- O Japão - país que mais importa frango do Brasil - anunciou ontem que restringirá as compras apenas de uma pequena região do Rio Grande do Sul. A posição das autoridades japonesas foi adotada depois que foi confirmado um foco de Newcastle em aves em uma pequena propriedade em Vale Real, a 90 quilômetros de Porto Alegre (RS).
O economista do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado do Paraná (Sindicarne-PR), Gustavo Fanaya, disse que a medida do Japão é uma boa notícia e deve servir de balizamento para os demais países. ''O Japão é um dos países mais exigentes na questão sanitária'', destacou.
O Japão pretende encerrar a restrição de 90 dias após o registro da doença. Dentro de um acordo bilateral de saúde animal e comércio de aves, os japoneses têm permissão para suspender as importações de frango provenientes de um raio de até 50 quilômetros da área afetada. Em 2005, o Japão importou 420 mil toneladas de frango, sendo 90% deste total do Brasil.
''O Brasil é o maior exportador mundial de frango e os países são muito dependentes do produto brasileiro'', disse Fanaya. Ele acredita que, o que pode acontecer é restrição a municípios em raio de emergência, o que traria um impacto quase nulo. Para ele, o impacto seria mais sobre a imagem da defesa sanitária do Brasil, o que pode atrapalhar outras negociações na área de carnes no futuro. ''Não vejo problemas do ponto de vista econômico e comercial'', disse.
Os maiores compradores de frango do Brasil são Japão (18% do faturamento das exportações), Arábia Saudita (12%), Holanda (12%), Alemanha (7%) e Hong Kong (6,5%), considerando o primeiro trimestre deste ano.
Paraná e Santa Catarina se alternam no primeiro lugar em produção e exportação. Em 2005, Santa Catarina exportou 844 mil toneladas e o Paraná 838 mil. Em faturamento na exportação os paranaenses atingiram US$ 1,35 bilhão e os catarinenses US$ 1,138 bilhão. O Brasil exportou 3,024 milhões de toneladas e faturou US$ 3,773 bilhões. Os maiores compradores do Paraná são Japão, Arábia Saudita, Holanda, Hong Kong e Venezuela.
O secretário estadual de Agricultura, Newton Ribas, acredita que devam ocorrer restrições especialmente ao mercado gaúcho. ''Apoiamos as medidas que o governo do Rio Grande do Sul já tomou como o sacrifício dos animais, a desinfecção da propriedade, o vazio sanitário e a zona de proteção num raio de 3 Km ao redor do foco, e zona de vigilância de 10 Km de raio'', disse.
Ele lembrou ainda que Santa Catarina já está com a fronteira sob controle. Ribas não acredita em restrições e embargos internacionais para o restante do País.
Paraná-O Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar) informou, através da assessoria de imprensa, que todas as medidas foram tomadas pelo Rio Grande do Sul. O setor acredita que a comunidade internacional vai entender o que realmente aconteceu e que foi um fato isolado e localizado. A expectativa do segmento avícola é que não ocorram embargos.
Os últimos casos da doença no País foram registrados em 2001 em Nova Roma (GO) e no Paraná em 1994 em Astorga. As aves com Newcastle apresentam andar cambaleante, prostração, diarréia branca e redução do consumo de água e alimentos. A doença não é transmitida aos seres humanos.

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