Kazuhiro Nogi/AFPMedida drásticaRyutaro Hashimoto, primeiro-ministro: ‘‘Devemos evitar recessão mundial com ponto de partida no Japão’’ O primeiro-ministro japonês Ryutaro Hashimoto anunciou ontem uma inesperada redução de impostos de dois trilhões de ienes (US$ 15 bilhões) para o ano 1997 a fim de reativar a economia e evitar uma recessão mundial que tenha origem no Japão. Esta medida será apresentada em um anexo ao Orçamento de 1997, que conclui em 31 de março de 1998, indicou Hashimoto em coletiva de imprensa.
A perda de rendas será coberta com a emissão de obrigações do Estado suplementares, o que põe em dúvida a política de saneamento das finanças públicas anunciado pelo primeiro-ministro. ‘‘Temos de tomar medidas radicais diante do atual estado da economia, que é o pior entre os grandes países industrializados’’, justificou Hashimoto. ‘‘Devemos evitar uma possível recessão mundial com ponto de partida no Japão’’, acrescentou.
A Bolsa de Tóquio reagiu com uma forte alta, enquanto o iene, em seu ponto mais baixo em cinco anos e meio nos últimos dias, se consolidava. No fechamento, o índice Nikkei ganhou 555,85 pontos, a 16.541,06 pontos. Às 16 horas locais (5 horas de Brasília), o dólar valia 127,17-20 ienes diante dos 130,78 ienes em Nueva York, ontem, e 130,87-89 ienes em Tóquio, também na véspera.
‘‘Os investidores estrangeiros correram para comprar ienes. Não sei até onde vai cair o dólar’’, afirmava um operador do banco Asahi. Segundo um operador do banco Sumitomo, afirma-se que o Banco do Japão (Banco Central) está comprando ienes para acelerar seus lucros e vendendo dólares para reduzir as perdas.
Esta medida será integrada a um plano que prevê a emissão de um empréstimo do Estado por uma quantia de 10 bilhões de ienes, proposto ontem pelo governamental Partido Liberal Democrata para estabilizar e reativar o mercado financeiro.
O plano inclui também uma forte redução da fiscalização das empresas e rendas bursáteis e bens imóveis num valor de 850 bilhões de ienes. Da mesma forma, é incluída a emissão de obrigações de Estado num valor de 10 bilhões de ienes (US$ 77 bilhões) para alimentar a Deposit Insurance Corporation, financiada pelo Estado e que garante os bônus dos clientes das instituições financeiras com problemas de pagamento.
O governo japonês se reunirá na segunda-feira para ratificar as propostas do PLD. Este anúncio contradiz as previsões de rigor do primeiro-ministro em relação ao orçamento. A dívida pública alcançará a cifra astronômica de 467 bilhões de ienes em março, ou seja, 93,1% do Produto Nacional Bruto. Segundo os analistas, esta injeção de dinheiro deve dar entre 0,2 e 0,4 ponto de crescimento do PNB até o mês de março. Na segunda-feira passada, a OCDE reviu em baixa suas previsões de crescimento para o Japão, ao estimar que apenas seria de 0,5% em 1997 e 1,7% em 1998, comparado aos 3,5% de 1996.
Os líderes dos partidos opositores japoneses exigiram ontem a renúncia do Primeiro-Ministro Ryutaro Hashimoto e de seu gabinete, depois da drástica redução fiscal. Takeshi Noda, presidente do Conselho de Pesquisa Política do Partido Nova Fronteira, a principal organização opositora, disse que o governo deveria ter ouvido os pedidos anteriores para que se realizassem cortes fiscais.

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