Japão quer importar álcool do Paraná para automóveis
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terça-feira, 18 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba Os japoneses estão namorando usineiros paranaenses para fechar contratos de exportação de álcool carburante. O Paraná já fechou um contrato para exportação de 50 milhões de litros do combustível para a Europa, por um período de cinco anos. Um contrato com o Japão só será fechado depois que as usinas tiverem certeza de que têm condições de abastecer o mercado interno, disse o presidente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcoopar), Anisio Tormena.
Para o presidente da Alcoopar, a elevação das exportações ainda é embrionária e o compromisso assumido pelas usinas é para abastecer o mercado interno, cuja demanda está em elevação. Mas as usinas não negam que estão fazendo um trabalho para elevar as exportações do álcool. A intenção das usinas é transformar o álcool numa commoditie, produto com preço estabelecido pelo mercado externo, a exemplo do que já acontece com o açúcar.
No ano passado, as usinas exportaram 15 milhões de litros de álcool para a Inglaterra. A partir de junho de 2003, as empresas começam exportar para a Europa. Só depois disso é que vão avaliar a oferta de compra dos japoneses, que mandam delegações com frequência para visitar as usinas do Norte do Paraná.
Segundo Tormena, o Japão tem muita carência de energia. Assim como o Brasil, aquele país está desenvolvendo um programa de mistura de álcool na gasolina. Se o programa vingar, os japoneses têm interesse em comprar grandes volumes, ''alguns bilhões de litros''. Além do Japão, a Coréia também está interessada em comprar álcool combustível.
Tormena lembrou que a produção de álcool está sendo almejada por vários países, porque é uma energia renovável e não provoca impacto no meio ambiente. Para atender o aumento da demanda, tanto no mercado interno como externo, o usineiro defende mecanismos de incentivo ao plantio de cana nas regiões produtoras.
Segundo Tormena, o Norte do Paraná tem um grande potencial (clima, solo e tecnologia) para elevar o plantio de cana para que as usinas possam aumentar a produção de álcool e açúcar, produtos tão procurados no mercado externo. ''O aumento na produção depende de boa remuneração para os plantadores de cana'', destacou.


