Brasília - O governo japonês anunciou ontem que vai autorizar a importação de manga brasileira, após 27 anos de negociações. Esse foi o resultado econômico mais concreto da visita de três dias do primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, ao Brasil. Ontem, após uma reunião de trabalho, ele foi homenageado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um almoço no Itamaraty. Os principais itens do cardápio foram alimentos que o Japão não importa por questões sanitárias: palmito (com salada verde), carne bovina (filé mignon com risoto de gorgonzola) e gratin de manga. ''O Itamaraty não improvisa jamais'', disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sorrindo de orelha a orelha, quando questionado sobre a escolha do menu. Pela manhã, Koizumi foi recebido por Lula no Planalto.
O efeito de curto prazo da visita de Koizumi ficou restrito à abertura do mercado de manga. Ficou claro, ainda, que os japoneses estão interessados em comprar etanol, mas precisam ser convencidos de que o suprimento será constante e suficiente. É, portanto, algo que poderá dar resultado a médio prazo. No mais, trata-se de reconstruir uma relação que ficou deteriorada desde a década de 80. Os problemas econômicos do Brasil frustraram os investidores japoneses, que haviam ingressado pesadamente no País nos anos 60 e 70. ''Queremos voltar a ser o destino preferencial dos empreendimentos japoneses que, no passado, tornaram nossas relações exemplares'', discursou Lula durante o almoço.
Cefet - O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, recebeu na noite de quarta-feira, em Brasília, o pedido para instalação de um Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) em Londrina.
O projeto foi elaborado por líderes da colônia nipo-brasileira, tendo a frente o deputado Hidekazu Takayama (PMDB-PR), o presidente da Câmara do Comércio Brasil-Japão, ex-deputado Antonio Ueno, o deputado estadual Luiz Nishimori, o presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná, com a colaboração do próprio diretor geral do Cefet, Éden Januário Netto. Segundo o deputado, Koizumi mostrou-se interessado pelo projeto, orçado em R$ 20 milhões.
O Cefet deverá oferecer a Londrina cursos superiores gratuitos na área de tecnologia. A finalidade é qualificar profissionais para os diversos setores da economia, favorecendo a instalação de novas indústrias na região.

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