Japão lança seu 4º pacote econômico
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaNova ofensivaRyutaro Hashimoto, primeiro-ministro do partido liberal-democrata japonês, anunciou ontem o pacoteO Partido Liberal Democrata (PLD) do Japão anunciou ontem,através do primeiro-ministro Ryutaro Hashimoto, o seu quarto pacote destinado a ajudar a economia do país. Não foram anunciados incentivos fiscais como cortes em impostos, como vinham sugerindo importantes economistas japoneses e de outros países, incluindo os EUA. O mercado recebeu as medidas com indiferença.
O novo pacote concentra-se em sete áreas principais que visam estabilizar o sistema financeiro, revitalizar o mercado de ações, encorajar a construção civil, promover o investimento privado em projetos de infra-estrutura e incentivar a atividade no mercado imobiliário.
O pacote também contém medidas de ajuda a outros países asiáticos, principalmente para estabilização de suas moedas. Finalmente, foram anunciadas 34 medidas de desregulamentação econômica, concentradas principalmente nas áreas trabalhista, de telecomunicações, medicina e finanças.
O PLD anunciou também que planeja um quinto pacote econômico e que já está estudando medidas para incentivar a liquidez de propriedades e auxiliar as corporações com problemas de fechamento de caixa no final do ano fiscal, em 31 de março. Taku Yamasaky, presidente do PLD, não disse quando o novo pacote será divulgado, mas afirmou que conterá as medidas necessárias e reforços para a política econômica.
O pacote anunciado ontem teve pouco impacto na Bolsa de Valores de Tóquio, que fechou em alta de 139,76 pontos (0,84%), com o índice Nikkei em 16.756,24 pontos. As medidas foram anunciadas formalmente apenas depois do fechamento da bolsa, mas o PLD divulgou mais cedo um resumo do seu conteúdo.
Os investidores esperam que o Japão seja criticado na reunião do G-7 hoje, em Londres, pela ausência de estímulos fortes à economia, na expectativa de que isso force a adoção de estímulos fiscais, como o corte de impostos.
Para o cientista político Sérgio Abranches, da Tendências Consultoria Integrada, é fácil entender o motivo da indiferençca do mercado em relação ao pacote japonês. Primeiro, explica Abranches, não houve qualquer surpresa, pois o partido governista deu o que havia pré-anunciado. Segundo, várias das medidas podem aumentar a poupança, ao invés de estimular o consumo. E terceiro, nenhuma delas deve restaurar a confiança de consumidores e investidores. O cientista político considera que o conjunto de medidas voltadas para a construção civil dificilmente terá efeito de curto prazo, mas constitui uma decisão importante no lento processo de saneamento e reestruturação financeira.


