Kewal Jufri/AFPBaixa recordeFuncionário de uma casa de câmbio de Jacarta ajusta a cotação da rupia, que teve queda de 11% só ontemAs bolsas brasileiras voltaram a operar ontem como uma sombra de Nova York. A Bovespa oscilou ao redor do Dow Jones sem nenhuma cerimônia e fechou em alta de 0,41%. A Bolsa de Valores do Rio fechou com pequena queda: 0,94%.
Como todos os centros financeiros internacionais, o Brasil anda totalmente subjugado à crise asiática. Neste contexto, três eventos mobilizam a atenção dos mercados na semana que vem. Em primeiro lugar, o pacote japonês de ajuda aos bancos. Na terça-feira acontece a reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, quando haverá decisão sobre o nível dos juros básicos nos EUA. Por último - e condicionado a estes dois acontecimentos -, na quarta-feira acontece a reunião do brasileiro Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá as novas TBC e Tban para janeiro, piso e teto dos juros domésticos. Governo e mercado apostam que há espaço para a queda do custo do dinheiro no Brasil.
IndonésiaAbalada pelos temores em relação à saúde do presidente Suharto e debilitada pelo terremoto financeiro verificado na Ásia, a rupia, divisa da Indonésia, registrou ontem queda de 11%, um recorde de baixa. Desde o início da semana a moeda indonésia perdeu 22%, mas no acumulado do ano a desvalorização chega a 52%. A Bolsa de Valores de Jacarta também perdeu mais 8% no pregão de ontem, fechando em 358,254 pontos, nível mais baixo dos últimos quatro anos. A onda vendedora verificada ontem começou depois que um porta-voz anunciou que os médicos haviam recomendado o cancelamento das viagens do presidente Suharto, de 76 anos.
CoréiaO Banco Central da Coréia do Sul, mesmo com reservas debilitadas, socorreu ontem a moeda nacional, o won, evitou o colapso cambial e reduziu o impacto global que, na véspera, provocou a queda em série das bolsas de valores em todo o mundo. Como resultado da maciça troca de dólares por wons, a moeda sul-coreana apresentou uma alta de 0,56%, ante a queda recorde da véspera, encerrando o pregão em 1.710 unidades por dólar. Antes da intervenção, a divisa sul-coreana estava sendo negociada a 1.891 wons por dólar.
Em dia repleto de boatos sobre a possível decretação de uma moratória unilateral nos pagamentos das dívidas interna e externa, e da falência da Corretora Dongsuh Securities, a quarta maior do país, a Bolsa de Seul não se animou com a aparente estabilidade da moeda nacional e voltou a cair fortemente. O principal indicador das blue chips recuou 7,07%, ou 26,69 pontos, para fechar em 350,68 pontos, menor nível desde abril de 1987.
JapãoO Parlamento do Japão aprovou ontem uma legislação que amplia o alcance da lei de seguros de depósitos bancários, permitindo o uso dos recursos depositados nesses fundos para custear as fusões de bancos em dificuldades. A medida foi considerada um passo importante no combate ao problema da inadimplência no setor financeiro.
O número de falências de empresas no Japão cresceu 5% em novembro sobre novembro de 1996, para 1.425 casos. A dívida deixada pelas insolventes, por sua vez, cresceu 40,5%, para 2,017 trilhões de ienes (US$ 15,8 bilhões), informa a agência privada de pesquisa de crédito Teikoku Databank. É o segundo maior valor do pós-Guerra.

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