São Paulo - O secretário de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meireles, afirmou ontem que em menos de um ano o Brasil já deverá exportar etanol para o Japão. Para ele, o País poderá suprir entre 900 milhões a 1 bilhão de litros a demanda anual nipônica, próxima de 1,8 bilhão de litros. ''Estas vendas externas para nós poderão representar uma receita adicional de US$ 250 milhões ao ano'', comentou.
Segundo o secretário, o Japão já aprovou a mistura de 3% de etanol na gasolina, o que abre grandes perspectivas de negócios dos usineiros nacionais para aquele país. Meireles revelou a negociação após a visita ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes, de Shoei Utsuda, presidente da Mitsui Trading, que realiza negócios no Brasil envolvendo US$ 1,6 bilhão por ano.
A companhia faz parte de um dos maiores conglomerados empresariais do Japão, do qual participa o Banco Sumitomo, com faturamento total, em 2003, de US$ 112 bilhões.
De acordo com o secretário, a Mitsui deseja ser um dos principais grupos empresariais japoneses que promoverão as exportações do etanol brasileiro para aquele país. ''Estamos agora tentando viabilizar a solução de algumas questões. Uma delas é a definição do fornecimento do combustível com preços razoáveis de mercado, com contratos de cinco a dez anos de duração e de transporte do álcool produzido pelas nossas usinas aos portos nacionais e de lá para o Japão.''
Meireles destacou que as exportações de etanol deverão levar perto de 12 meses para começar porque aquele país precisa definir algumas questões regulatórias pendentes, como, por exemplo, o imposto de importação de combustível. Hoje, a tarifa é semelhante a da compra de bebidas alcóolicas produzidas no exterior, que está em 27%.
''Esse negócio é um importante passo para as exportações de etanol para o mundo. Só o Japão tem uma expectativa de ampliação, em menos de dez anos, da participação do etanol na gasolina, de 3% para 10%. Isso representa um mercado anual de 6 bilhões de litros de álcool'', explicou.
A Mitsui, de acordo com o secretário paulista, está também interessada em participar como empresa parceira da construção e operação da Linha 4 do Metrô, que ligará a Estação Luz à Vila Sônia, em São Paulo, e que terá 12,8 quilômetros de extensão e 11 estações.
Com custo previsto de R$ 3,1 bilhões, a linha terá recursos do governo do Estado de São Paulo, do Banco Mundial e do Japan Bank for International Cooperation (JBIC), que serão aplicados durante seus 42 meses de execução. A primeira etapa deverá estar concluída entre 2007 e 2008 e terá seis estações prioritárias.

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