Japão deve demitir 85 mil brasileiros
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sábado, 24 de janeiro de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Trabalhar em outros países é a saída para muitos brasileiros que sonham em ganhar dinheiro. Austrália, Canadá, Estados Unidos, Europa e Japão são as preferências dos que embarcam por vias legais ou clandestinas. Porém, depois do pedido de concordata seguido de falência do centenário banco americano Lehman Brothers, em setembro do ano passado, iniciou-se a primeira grande crise econômica do século XXI, e até esta opção deixou de ser vantajosa.
Os países orientais como o Japão, onde os brasileiros representam mão-de-obra significativa no mercado de trabalho, a estimativa é de que sejam demitidos 85 mil trabalhadores das indústrias automobilísticas e de componentes eletrônicos até março. O índice de desemprego no país aumentou 0,2% em novembro, em relação ao mês anterior, e atingiu 3,9 pontos percentuais. No total, mais de 2,5 milhões de pessoas não tinham emprego no entre janeiro e outubro de 2008.
A situação é desanimadora, de acordo com o relato do dekassegui Claudio Sakae. Ele está de férias no Brasil e conforme contou à reportagem da FOLHA, seu irmão foi uma das vítimas da crise. Há sete anos, trabalhava em uma fabrica da Toyota e foi demitido com outros três amigos. Eles já engrossam a lista de mais de 50 mil desempregados e estão procurando outras ocupações na área alimentícia, que paga menos, mas é a única alternativa.
Sakae ainda tem seu emprego garantido, porém, a montadora onde trabalha anunciou mais 2 mil novas demissões e por isso não afasta a possibilidade de perder seu emprego. Mas aos que pretendem embarcar, ele aconselha cautela. ''Não vale a pena correr o risco'', diz. Como a disputa por trabalho promete ser intensa, quem já está habituado ao idioma oriental leva vantagem na busca por recolocações no mercado. ''Como sou contribuinte da previdência japonesa tenho direito a três meses de seguro. Mas mesmo assim o receio é grande'', preocupa-se.
Os dekasseguis - como são conhecidos como descendentes de japoneses de naturalidade brasileira que vão para trabalhar no Japão - estão concentrados em três setores da economia: automobilístico, eletroeletrônico e alimentício. De acordo com dados da Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD), havia até dezembro de 2007 mais de 300 milhões vivendo no Japão. Por isso, a recessão complicou a vida dos erradicados nas províncias de Aichi, Shizuoka, Mie e Gifu onde a concentração é maior.
Segundo Laurindo Kodaka, proprietário de uma agência de empregos no Japão, o estopim foi a crise que fez os Estados Unidos cessarem pedidos das indústrias automobilísticas e eletrônicas orientais das quais são o principal cliente global. O impacto derrubou a produção em 8,1% e é considerado o pior índice desde 1953. Na sua avaliação, este cenário já se desenhava desde outubro de 2007. ''Mas eu não achava que fosse tão profundo'', analisa.
De acordo com a Associação de Vendedores de Automóveis do Japão houve uma queda de 6,5% nas vendas de carros naquele país em 2008. Foi o quinto ano de baixas consecutivas e atingiu o pior nível desde 1974. Só no mês de dezembro houve o desempenho foi 22,3%, mais baixo e computou 180 mil unidades comercializadas. É a primeira vez, em 40 anos, que as vendas de dezembro ficam abaixo de 200 mil unidades. (com Agência Estado)


