Japão ataca crise com novo plano
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terça-feira, 17 de novembro de 1998
France Presse 
O governo japonês anunciou ontem um novo plano de reativação econômica de 23 bilhões de ienes (US$ 190 bilhões), na esperança de que este esforço sem precedentes consiga tirar o país da recessão. A versão definitiva do plano governamental, apresentado ontem pelo primeiro-ministro Keizo Obuchi, é mais sólida, pelo menos teoricamente, do que o projeto discutido pela maioria na quinta-feira passada.
A segunda economia mundial acumula megaplanos de recuperação, já que o recorde anterior ocorreu no início do ano, quando Tóquio organizou um primeiro pacote de 16,6 bilhões de ienes, cujos primeiros efeitos começam a se fazer sentir. Obuchi justificou este acúmulo afirmando que o mesmo se deve a sua determinação de dar fim à recessão mais longa do arquipélago nos últimos 50 anos.
O Japão teve um crescimento de -0,7% durante o ano fiscal de 1997 e prevê oficialmente uma nova contração de seu Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8% para o ano fiscal que termina em março próximo. Este plano é uma primeira etapa para atacar as dificuldades econômicas atuais, acrescentou o primeiro-ministro Obuchi, assinalando que suas prioridades são fazer o país voltar ao crescimento econômico, lutar contra o desemprego e suavizar as tensões no comércio internacional.
Segundo a Agência de Planejamento Econômico (APE), as medidas anunciadas acrescentarão 2,3 pontos ao crescimento. O chefe da APE, Taichi Sakaiya, estimou que o impacto poderá chegar aos 3%. Obuchi não deu cifras precisas, mas seu ministro do Comércio Internacional e da Indústria (MITI), Kaoru Yosano, indicou que o objetivo do governo é chegar a um crescimento de 1% em 99.
Os mercados reagiram de forma bastante fria. A bolsa de Tóquio passou parte da sessão de ontem em baixa, antes de terminar em alta de 1,1%. Este último pacote eleva para mais de 100 bilhões de ienes (cerca de 830 bilhões de dólares no câmbio atual) as quantias destinadas pelo Japão para a reativação econômica nesta década.


