Japão aprova Proer de US$ 400 bi
Mesmo sob forte oposição, o governo japonês conseguiu aprovar ontem, no Senado, o uso de US$ 400 bilhões em recursos públicos para recapitalizar o sistema financeiro do país.
A decisão encerra a etapa legislativa do Proer japonês, que, somado aos US$ 120 bilhões que haviam sido aprovados em janeiro para garantir depósitos de correntistas, totaliza US$ 520 bilhões. Agora, resta ao governo do primeiro-ministro Keizo Obuchi convencer os bancos a usar esse dinheiro. Eles não estão animadas, apesar do valor astronômico do programa.
Os bancos dizem que as instituições que usarem esse dinheiro darão um sinal de fraqueza ao mercado, provocando uma venda maciça de suas próprias ações e piorando ainda mais a situação de seus balanços. Os bancos também resistem porque, para usar os recursos do governo, terão de abrir a contabilidade e seus diretores terão de expor erros e irregularidades na concessão de empréstimos. Nos últimos sete anos, esses empréstimos criaram um buraco de cerca de US$ 1 trilhão no sistema financeiro japonês.
Para reduzir a resistência dos bancos, o governo propôs ontem que as 18 maiores instituições recebam o dinheiro de uma só vez, mesmo que algumas delas não precisem. Dessa maneira, as que precisam não carregarão sozinhas o estigma de precisarem de recursos públicos para ficarem de pé.
Dos US$ 400 bilhões aprovados ontem, US$ 215 bilhões foram destacados para fortalecer o capital de bancos em dificuldades mas considerados viáveis. O restante irá financiar a nacionalização de bancos quebrados. O maior partido de oposição, o Partido Democrático do Japão, combate há dias o que classifica de uso indiscriminado de dinheiro público. O partido não questiona o programa de nacionalização dos bancos, que foi aprovado sem problemas.
Segundo o partido, o problema está no uso de recursos para fortalecer o balanço de bancos viáveis sem que as instituições se comprometam a revelar o total de créditos podres. Mesmo com a oposição do partido democrata, as duas partes do programa foram aprovadas no Senado. A mais polêmica foi aprovada com 158 votos favoráveis e 87 contra.Toru Yamanaka/France PresseVitória do governoO ministro das Finanças do Japão, Kiichi Miyazawa, anima-se com a aprovação do projeto pelo Senado. De costas, o primeiro ministro Keizo Obuchi e, ao lado esquerdo, o chefe de gabinete Hiromu NonakaAgência Folha





