Japão anuncia pacote econômico de US$ 123 bi
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quinta-feira, 09 de abril de 1998
Agência Estado/AP-Dow Jones 
Em criseRyutara Hashimoto, primeiro ministro do Japão: Atravessamos uma situação muito difícilO primeiro-ministro japonês, Ryutaro Hashimoto, anunciou ontem em Tóquio o maior plano já lançado no país para impulsionar a economia que está prestes a entrar em recessão. Em uma entrevista coletiva pela televisão, Hashimoto deu os detalhes de um pacote totalizando 16 trilhões de ienes (US$ 123 bilhões).
Desse total, 10 trilhões de ienes (US$ 76 bilhões) serão de estímulo fiscal, incluindo cortes de impostos de 4 trilhões de ienes (US$ 31 bilhões) em dois anos. Ou seja, este ano haverá uma redução especial do imposto de renda de 2 trilhões de ienes (US$ 15,3 bilhões), e um corte equivalente no próximo ano. Também serão considerados cortes de impostos nos setores de investimento, educação e bem estar social.
Autoridades dos EUA e empresários japoneses pediram com urgência que o governo adotasse medidas de estímulo para impulsionar a desaquecida economia do país.
A economia japonesa atravessa uma situação muito difícil, disse Hashimoto ao anunciar o plano, afirmando que o país não conseguiu superar a explosão da bolha especulativa que se formou no final da década de 80.
O principal índice da Bolsa de Valores de Tóquio subiu ontem pelo quarto pregão consecutivo com os investidores antecipando o anúncio das medidas de estímulo. E o dólar caiu frente ao iene. O índice Nikkei das 225 ações preferenciais subiu 160,04 pontos (0,98%), fechando em 16.536,66 pontos. O dólar foi cotado a 131,82 ienes, com baixa de 1,42 iene em relação ao fechamento anterior.
Analistas e participantes do mercado viram com bons olhos o arriscado movimento político de Hashimoto de afastar-se das principais políticas de sua administração: restringir gastos para cortar o déficit orçamentário. No entanto, disseram que o pacote não era o suficiente para resolver o maior problema que atinge a economia: o fraco consumo. A principal deficiência do pacote é que os cortes de impostos não serão permanentes, disseram.
O que parece estar faltando no plano de Hashimoto é uma redução permanente do imposto de renda, disse Kazuaki Harada, economista chefe do Sanwa Research Institute.
O secretário do Tesouro dos EUA, Robert Rubin, por sua vez, gostou do anúncio das medidas japonesas de estímulo à economia. Esperamos ver os detalhes no final deste mês, disse Rubin, o crucial é que o Japão movimentou-se rapidamente para implementar um forte programa.


