A janela ideal para plantio do milho safrinha termina hoje na maior parte do Paraná, com os produtores acelerando ao máximo o trabalho nas últimas semanas com intuito de cumprir as datas estabelecidas no Zoneamento Agrícola de Risco Climático, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Somente 86% do grão foi plantando no Estado. O desarranjo no cronograma aconteceu porque a semeadura da soja, no ano passado, atrasou em diversas áreas do Estado devido à forte estiagem - como exemplo da região Norte. Além disso, as chuvas das últimas semanas também atrapalham os produtores, tanto na colheita do oleaginosa como no plantio do milho.
A partir de hoje, o produtor que não se programou e arriscar o plantio do milho safrinha tem maior risco de perda da safra pela geada, além da diminuição do potencial produtivo da cultura justificado pela menor incidência de luz e também não pode receber o seguro agrícola em caso de perdas. Não há números oficiais, mas diversos produtores devem arriscar o plantio mesmo fora da janela estipulada.
De acordo com último levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado (Seab), o plantio do milho safrinha está em 86%, percentual abaixo da safra 2013/14, que na mesma época estava em 93%. De acordo com o técnico do Deral, Edmar Gervásio, houve atraso. "A data estipulada para plantio fecha amanhã (hoje) e o maior atraso é nas regiões de Londrina e Cornélio Procópio, em torno de 100 mil hectares. Pelo bom ritmo que tivemos esta semana, sinceramente acho que não teremos muitos produtores nesta situação. Entretanto, alguns devem acabar optando pelo trigo ou deixar a terra em pousio", relata Gervásio.
Já a média da área colhida de soja corresponde a 66% dos 5 milhões de hectares plantados. Se houve avanço significativo nas últimas semanas, o número é bem menor em comparativo ao ano passado, quando o valor colhido era de 74%. A qualidade do produto é boa em 84% das lavouras da oleaginosa.
Na Cooperativa Integrada, por exemplo, muitos produtores deixaram para comprar sementes de milho e insumos no final de fevereiro. O engenheiro agrônomo da cooperativa, Romildo Birelo, explica que, com a diminuição da janela, os cooperados ficaram indecisos no momento de apostar no milho safrinha. "Quem se planejou com antecedência, plantou soja precoce e não teve problemas com a diminuição da janela. Nas últimas semanas, houve uma correria para atender o pessoal e todos conseguiram cumprir o prazo do zoneamento", relata Birelo, que estima uma colheita da cooperativa em torno de 15 milhões de sacas de soja e 14 milhões de milho safrinha.
Segundo o Deral, a expectativa é que a produção do milho sofra retração de 15% e atinja marca de 4,6 milhões de toneladas. No caso da soja, a safra deve chegar a 16,7 milhões de toneladas, alta de 15%.

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