Janeiro não foi mês de demissões
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segunda-feira, 12 de março de 2001
Rosana FélixDe Curitiba 
Em janeiro de 2001, o Paraná teve o melhor índice de emprego formal registrado nos meses de janeiro desde 1990. O número total de trabalhadores com carteira de trabalho chega este ano a 1,370 milhão. O aumento, em relação à dezembro de 2000, foi de 0,42%, gerando 5,9 mil postos de trabalho. O Estado ficou acima da média nacional, de 0,22%. Os dados foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
Historicamente, janeiro apresenta queda no nível de emprego, o que não ocorreu neste ano. Apesar de sinais negativos, como as demissões na Volkswagen, e a perspectiva de fechamento da Chrysler, os números do mês foram positivos, disse o economista técnico do Dieese, Cid Cordeiro. É um reflexo do otimismo que os agentes econômicos têm em relação a 2001, explicou. Para o Dieese, a queda da inflação, redução de juros, aumento do emprego, recuperação da renda do trabalhador, crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) e confiança dos consumidores foram os motivos que levaram a atual situação.
No Paraná, o Dieese se surpreendeu com o crescimento apresentado pelo setor da construção civil, que empregou formalmente 1,15% a mais em relação a dezembro. A queda da taxa de juros, o aumento nos níveis de emprego e o aumento da renda podem estar sinalizando um bom ano para o mercado imobiliário, considerou Cordeiro. Para ele, o setor pode estar iniciando uma retomada, depois de ter passado por uma crise estrutural nos anos 90.
Renda maiorO Dieese também divulgou um novo indicador sobre a renda do trabalhador paranaense, baseado na guia de recolhimento do FGTS e de informações à Previdência Social. O rendimento médio em 2000 foi de R$ 629,69, um aumento de 0,48% sobre o valor praticado em dezembro de 1999. O Paraná tem a sexta maior remuneração média entre os trabalhadores brasileiros, que é 15% menor que a média nacional, de R$ 740,83.
O otimismo constatado nesses níveis bate de frente com o pessimismo do mercado financeiro, que está abalado pela queda de crescimento dos Estados Unidos, pela recessão na Argentina, pelo quadro político interno e por causa da desvalorização do real, que foi de 5% este ano. Se confirmada a crise argentina e a recessão dos Estados Unidos, o Brasil será afetado, declarou Cordeiro. Mas ele disse que esses reflexos devem acontecer apenas no segundo semestre, o que não vai prejudicar o bom desempenho da economia neste ano.


