Jaime Lerner apóia extinção do BRDE
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de agosto de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Arquivo FolhaApoio condicionalLerner diz que só vai brigar pelo BRDE se o governo não oferecer um substituto para o fomento no EstadoO governador Jaime Lerner afirmou ontem que poderá seguir a orientação do Banco Central e apoiar a extinção do Banco Regional de Desenvolvimento Econômico do Extremo Sul (BRDE), no Estado. O banco seria incorporado a Agência de Desenvolvimento do Paraná, que será formada através da fusão da carteira de fomento do Banestado, massa liquidante do Badep e Fundo de Desenvolvimento Econômico. Lerner só será contrário ao fim do BRDE se o Ministério da Fazenda não garantir a manutenção das atuais linhas de crédito para empresas e indústrias.
A solução do BRDE está vinculada à abertura de agências de fomento na região Sul. Nós não podemos abrir mão do fomento, mas se se criar outro instrumento que substitua melhor a função do BRDE, evidentemente podemos analisar, afirmou o governador. Lerner disse que a Agência de Desenvolvimento terá que ter mais recursos disponíveis do que os do BRDE, que segundo ele são poucos.
A proposta para encerrar as atividades do banco ganhou força no Rio Grande do Sul, onde o governador Antonio Britto (PMDB) pretende incorporar os ativos do BRDE para capitalizar o Banrisul e a agência gaúcha de investimento. O governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira também tem simpatia pela extinção do banco. Britto, Vieira e Lerner devem discutir o assunto na próxima reunião do Conselho de Desenvolvimento dos Estados do Sul (Codesul), que ainda não tem data marcada para acontecer.
A fusão da parte paranaense do BRDE encontra resistência por parte da diretoria do banco e de alguns deputados da bancada governista. O deputado Luiz Carlos Zuk (PDT) é um dos parlamentares mais empenhados em manter o banco como está.
Entre os que defendem a incorporação do BRDE está o secretário do Planejamento, Miguel Salomão. Não queremos acabar com o banco, mas o Banco Central dificilmente financiará duas agências de fomento no Estado, assegurou o secretário.
O Banco Central tem uma linha de crédito que faz parte do programa de reestruração dos bancos estaduais. Através dela, os governos dos estados podem tomar financiamento que chegam a 10% da capacidade financeira da agência de fomento. No caso paranaense, o montante poderia ser de R$ 400 milhões.
O secretário disse ainda que com o desmembramento da parte gaúcha do BRDE, a situação do banco ficará insustentável. Com a saída do Rio Grande do Sul, acelera-se a crise do BRDE. Se o Paraná fizer a mudança agora estaremos nos antecipando a esta crise, afirmou. Salomão afirmou que o banco tem tantos problemas que somente no ano passado a despesa com pessoal cresceu 42%.


