Jabor não acredita que Congresso vá acelerar votação das reformas
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quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Cláudia Lopes 
Londrina
Paulo WolfgangMá vontadeArnaldo Jabor: O Brasil é ridiculamente lento. Como há muita preocupação em não se contrariar ninguém, acaba-se não se fazendo nada
O comentarista Arnaldo Jabor, que esteve ontem em Londrina para a abertura da 1ª Convenção das Empresas de Serviços Contábeis do Paraná (Coesc-Pr), não acredita que os congressistas queiram fazer as reformas essenciais ao País, apesar das lideranças governistas terem defendido a retomada das votações das mudanças constitucionais anteontem no Congresso - motivadas pela tensão causada pela crise da Bolsa de Hong Kong. Jabor acha que a estabilidade econômica não vai durar muito tempo sem as reformas. Mas o Congresso não se move. Os congressistas só se movem por medo e não por amor a Pátria, disse.
Em entrevista à imprensa, antes do encontro, ele disse que culturalmente o Brasil tem posição privilegiada no processo de globalização por causa de sua miscigenação racial, do multiculturalismo, que lhe dá flexibilidade e tolerância. O tema de sua conferência no encontro foi Identidade Brasileira: localidade e globalização. A convenção acontece até amanhã no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina.
Para Jabor, o Custo Brasil, a incapacidade de exportar e a incompetência no trato com os estrangeiros são entraves para a globalização. O brasileiro tem uma posição paranóica diante dos estrangeiros, afirmou, considerando fundamental o enxugamento do Estado. Falta civilização, organização, administração, logística e honestidade no Brasil. A corrupão é endêmica, e está tão entranhada porque as estruturas foram criadas para serem de roubo.
Jabor, que é cineasta, afirma que falta ao País uma injeção de protestantismo. A ética protestante é forte. Nós temos uma ética portuguesa burra, de 400 anos. O capitalismo americano tem uma organização social e um enriquecimento pessoal mais sadio. diz Jabor, que reclama da lerdesa do País. O Brasil é ridiculamente lento. Como há muita preocupação em não se contrariar ninguém, acaba-se não se fazendo nada. Segundo ele, um dos principais vícios brasileiros é a mentalidade patrimonialista, de que a sociedade vive em função do Estado.


