Já teve morte e acidente grave nas obras paradas
O abandono dos prédios da Gleba Palhano já causou sérias dores de cabeça aos moradores da região. Durante um bom tempo usuários de drogas fizeram dos imóveis verdadeiros mocós. Assaltantes também utilizaram as torres abandonadas como ponto de observação para planejar seus assaltos. No Villagio di Roma, chegaram a ocorrer uma morte e um acidente grave.
Em abril, Francisco Ortiz Junior, 21 anos, que seria dependente químico, foi encontrado morto na obra abandonada com ferimentos na nuca. Quatro meses depois, em agosto, um rapaz de 20 anos, que estaria brincando com amigos no prédio, caiu de uma altura de cinco metros. Ele teve ferimentos graves e ainda hoje está em processo de recuperação do acidente.
Tudo isso fez com que os moradores se mobilizassem. Eles chegaram a cogitar a hipótese de destruir as escadas que dão acesso aos andares superiores do prédio. Porém, o empresário Cláudio Luiz dos Santos, dono de uma rede de lava-rápidos na região, conseguiu algo melhor. Ele fez um contrato de comodato no mês passado com o atual dono do edifício e lacrou as escadas, acabando com a presença dos vizinhos indesejáveis. Agora o empresário quer ir além e promover uma cantata de Natal, com direito a decoração e iluminação especiais, nas obras abandonadas. Vai ser algo bonito, com as crianças da escola do bairro e outros grupos se apresentando, explica.
Enquanto isso, em volta do prédio permanecem as placas de alerta colocadas pelo empreiteiro Niltinho Saconatto. Perigo! Não se aproxime!, elas dizem. Saconatto é o responsável pelo bom estado de conservação do edifício Mozart, o qual é pago para cuidar e cercar com tapumes. Por conta própria resolveu estender seus serviços aos prédios vizinhos, mas acabou no prejuízo, vendo sumir na calada da noite 276 chapas de madeirite que instalou como tapume ao redor dos outros três prédios da gleba.
Ele é mais um que engrossa o coro para dizer que somente a união dos condôminos pode tocar três das quatro obras inacabadas. Já tentei unir o pessoal do Mont Serrat, mas é difícil, pois mais do que boa vontade também é preciso dinheiro. Além disso, entre os condôminos tem muita gente que achou que jamais ia ser enganada pela Encol, ressalta Saconatto. (W.S.)





